quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

8 de Dezembro - Solemnidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria

Missa cantada em Latim pelo Padre Armindo Borges na Igreja do Sacramento no Chiado, em Lisboa, ao meio-dia e um quarto.

8 Dezembro Imaculada Conceição

Imagem da Virgem em Vila Viçosa, Portugal.
Em baixo, poema que compus em Sua homenagem:

Ave Immaculata Maria,
verificação da profecia
feita por Deus à nação judia
mais do que o bom senso prometia!
Narrar Vossa pureza? Teria
trabalho que não acabaria,
e acabado não caberia
na biblioteca de Alexandria.
Permiti-me então a galhardia
de Vos cantar minha poesia
qual gatinho fôfo que Vos mia
à porta duma casa algarvia.
Vós - segundo se lê na Bíblia,
que não erra mas dá garantia -
à santa mulher de Zacaria,
Vossa prima Isabel doentia,
déstes caridosa serventia,
obra cimeira da geriatria,
oposta a toda a misoginia:
ela, que nunca gestado havia,
parir sozinha não poderia,
mas pariu com Vossa Senhoria,
e do São Baptista fostes Tia,
daquele profeta, que de alegria
no ventre materno se mexia
ao escutar Vossa santa lábia
que só ao Senhor engrandecia,
e, deste modo, como podia,
o pequeno feto, sem mania,
em nome daquela confraria
romana chamada "Ecclesia ",
agradado Vos agradecia
p'lo Vosso "Sim, fiat " ao Messia
judeu, que anos depois haveria
de curar muitos na Samaria:
ó certíssima hiperdulia
e autêntica teologia!
Ó tema de infinita homilia!
A Vós, fez Vossa mor relíquia
- enquanto na Santa Cruz morria,
qual esponja que de almas se embebia -
do amado que O Bem noticia
e da gente Nossa Mãe tardia!
Ó eficaz salvadora bóia,
Vós sois a completa galeria
d'O Bem que Deus nos quer e envia!
Por nós intercedeis com mestria,
obteis milagres de terapia
ou doutra qualquer categoria,
e quem sua prece Vos confia,
seja santo que se refugia
dalgum mau anjo que combatia,
ou triste que se penitencia
da pecaminosa rebeldia,
ou os dois em um - a maioria -,
seja alma que de Amor está fria,
seja cálida, seja tíbia
que pelo seu caminho coxeia,
seja quem orando principia,
seja quem nem Vos conhecia,
seja ladrão, seja polícia:
todos ganham Quem os alivia!
Concedei à nossa família,
onde não há paz mas correria,
à nossa vizinha freguesia,
e à total humana fratria,
com seus gados, cães, e mobília,
que vivamos sempre em harmonia!
Vossa voz qualquer mal silencia!
Maximum opus inter omnia
Dei es tu, et mirabilia
tua sunt innumerabilia!
O admirabilis scientia
Dei et oculta mysteria!
Donzela de véu e longa saia,
Triplamente casta, quereria
eu - crede-me que não é léria
nem inconsequente teoria -
ressuscitar a cavalaria
e reunir uma milícia
que defenda a Vossa apologia
nesta bendita Portugália,
minha nobre imperial Pátria
- que inclui aquela ocidental praia
chamada outrora Lusitânia,
a nova Vera Cruz Brasília,
múltipla Africana colónia,
tanta Levantina vitória,
e aqueles com tanta cópia
erectos Padrões à memória
do Cristo, e não por vã glória,
sem menosprezar a Maresia 
que ditas partes intermedeia -,
cantando - como dizendo ia -
a Vossa virginal estória
por meio da bela salmodia,
santa gregoriana monodia
cuja arcaica modal melodia
se atribui à Divina Autoria,
ou da clássica polifonia,
promovida com sabedoria
pela católica hierarchia
p'ra dignificar a Liturgia
da vivificante Eucaristia!
A Vós, por racional maioria,
que não tendes qualquer malícia,
seja prestada tal honraria!
A Deus nunca entristeceria
tal culto, mas aceitá-lo-ia,
e muito nos recompensaria!
Porém, nesta minha mão vazia
de bem, só encontro porcaria;
meu infiel coração varia
conforme o lado da ventania;
sofro de tamanha covardia
que a minha voz tímida nem pia.
Mas, Vós querendo, vem melhoria!
Vós resolvereis minha avaria!
Ó grávida na adolescência
por Santa Espiritual biologia,
recebei-me na Epifania!
Útero do qual Deus se nutria,
acolhei-me para igual magia!
Dai-me do leite que El-Rei bebia
e da papa que Ele mais comia;
cantai-me ao ouvido o que Ele ouvia,
erguei-me como quando Ele caía,
vesti-me a veste que Lhe servia
sem costura alguma, que Ele vestia,
ensinai-me tudo o que Ele fazia,
ponde-me na boca o que Ele dizia,
no olhar o que o d'Ele, puro, via,
nas mãos a força que d'Ele saía,
e no coração o que Ele sentia!
Vós, que mais que o Sol sois luzidia,
sêde a clara Luz que me alumia,
quer haja trevas, quer brilhe o dia,
tenha eu, ou não, mais companhia, 
que medo nenhum me assistiria,
e Vossa ajuda nos bastaria
- a mim, amigos, e sobraria! -
para nunca perdermos a via
quæ fert ad æterna Cælestia!
Amen! Hossana! Alleluia!

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