sábado, 19 de maio de 2012

CD «VOICES: Chant from Avignon»

Por apenas 6,50 €
A comunidade de freiras Beneditinas de Nossa Senhora da Anunciação, fundada em 1979, instalou-se em Le Barroux, perto de Avinhão na Provença em França. A construcção do convento teve início em 1986, e a 12 de Maio de 2005, o Cardeal Medina Estevez, enviado especial do Papa Bento XVI, consagrou a Igreja da Abadia.

As irmãs levam uma vida contemplativa, afastada do mundo e consagrada à oração e ao trabalho, segundo a regra de S. Bento (século VI). O convento está rodeado de pomares, vinhas, olivais, e campos de lavanda, cultivados pelas irmãs, que também praticam as artes monásticas da encadernação, publicação de livros e CDs, produção de compotas, manufactura de roupas para crianças e paramentos litúrgicos bordadas em seda.

A sua oração de louvor e intercessão pelo mundo é cantada em canto Gregoriano, sete vezes por dia e uma à noite. Trata-se da antiga oração da Igreja, que presta homenagem a Deus, hoje. A meditação da Palavra de Deus e a caridade fraterna das irmãs contribui para a unidade da sua vida, reflectida na unidade das suas vozes e na beleza do seu Canto.

O canto Gregoriano ajuda-nos a pormo-nos na presença de Jesus, Nosso Senhor; não apela tanto aos sentidos como à alma; faz-nos avançar muito mais do que outras formas de música, humanas; proclama aquilo de que as pessoas do século XXI mais necessitam, uma mensagem de fé e alegria infinitas: Deus ama-nos com um amor para além do racional, e nós conseguimos encontrar o sentido para a vida se respondermos que sim a esse amor.



Conteúdos do CD:
  1. Invitatório Surrexit Dominus vere & Salmo 94
  2. Intróito Exsurge (Salmo 43,23-26)
  3. Oratio Jeremiae Prophetae (Lamentações 5,1-11)
  4. Sinos do Angelus ao meio-dia
  5. Sequência Dies irae (Missa pelos mortos)
  6. Tracto Commovisti (Salmo 59,4.6 - Missa do 2º Domingo da Quaresma)
  7. Ofertório Recordare (Jeremias 18,20 - Missa do 28º Domingo do Tempo Comum)
  8. Aleluia Oportebat pati Christum (Lucas 24,46 - 2º Aleluia da Missa do 3º Domingo da Páscoa)
  9. Aleluia Cognoverunt (Lucas 24,35 - 1º Aleluia da Missa do 3º Domingo da Páscoa)
  10. Comunhão Panis quam ego dedero (João 6,52 - Missa do 19º Domingo do Tempo Comum, anos A e C)
  11. Hino Adoro te devote (S. Tomás de Aquino † 1274 - Adoração do Santíssimo Sacramento)
  12. Intróito Esto mihi (Salmo 30,3.4 - Missa do 6º Domingo do Tempo Comum)
  13. Ofertório In te speravi (Salmo 30,15.16 - Solenidade da Sagrada Família de Jesus, Maria e José)
  14. Sequência Veni Sancte Spiritus (attr. Stephano Langton séc. XII/XIII - Missa durante o dia do Domingo de Pentecostes)
  15. Antífona Ubi caritas (1 João 2,3.4 - Ofertório da Missa Vespertina da Ceia do Senhor na 5ª Feira Santa)
  16. Antífona Nonne cor & Magnificat (Lucas 24,32 e 1,46-55 - Liturgia das Horas)
  17. Responsório Regnum mundi (Cantado pela freira ao fazer o seu voto definitivo pela vida monática)
  18. Gradual Christus factus est (Filipenses 2,8.9 - Missa do Domingo de Ramos e na 6ª Feira da Paixão)
  19. Ofertório Dextera Domini (Salmo 117,16.17 - Missa da Vigília Pascal e do 3º Domingo do Tempo Comum)
  20. Antífona Alleluia & Salmo 116 
  21. Hino Benedictus es (Daniel 3,52-56)
  22. Sinos a repique

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Bento XVI: «Giuseppe Verdi contempla o Cristo encarnado, que abre o reino dos céus»

[S]exta-feira, 11 [de de Maio], a Sala Paulo VI foi palco de um concerto oferecido por Giorgio Napolitano, presidente da República Italiana, em homenagem ao Santo Padre Bento XVI, por ocasião do sétimo aniversário de seu pontificado.

A Orquestra e Coro do Teatro da Ópera de Roma, dirigidos respectivamente pelo maestro Riccardo Muti e pelo Maestro Roberto Gabbiani, executaram o Magnificat em Sol menor, RV 611, de Antonio Vivaldi, e o Stabat Mater e o Te Deum das Quatro Peças Sacras de Giuseppe Verdi.

(...)

O Magnificat [de Antonio Vivaldi] que ouvimos é o cântico de louvor de Maria e de todos os humildes de coração, que reconhecem e celebram com alegria e gratidão a ação de Deus na sua vida e na história. Deus tem um "estilo" diferente do estilo do homem, porque ele se coloca ao lado do homem para lhe dar esperança. E a música de Vivaldi expressa o louvor, a exultação, a gratidão e também a admiração diante da obra de Deus, com uma extraordinária riqueza de sentimentos: do solene coral no início, no qual se encontra toda a Igreja que venera o Senhor, até ao "Et exultavit" e ao belíssimo coral do "Et misericordia", onde a música pousa com ousadas harmonias, ricas de modulações inesperadas, que nos convidam a meditar sobre a misericórdia do Deus fiel, que se estende a todas as gerações.


Já com as duas peças sacras de Giuseppe Verdi, que escutamos, o registro é outro: nos deparamos com a dor de Maria ao pé da cruz. Stabat Mater dolorosa. O grande compositor italiano, assim como tinha manifestado a tragédia de tantos personagens em suas obras, aqui penetra no drama de Maria, que contempla o Filho na cruz. A música se torna mais essencial, quase "agarrando-se" às palavras para expressar da maneira mais intensa possível o seu conteúdo, numa vasta gama de sentimentos. Basta pensar no doloroso sentimento de "piedade" com que a sequência começa; no dramático "Pro peccatis suae gentis"; no sussurrado "dum emisit spiritum"; nas invocações corais carregadas de emoção, mas também de serenidade, dirigidas a Maria, "fons amoris", para podermos compartilhar da sua dor de mãe e fazer os nossos corações arderem de amor por Cristo, até a última estrofe, súplica intensa e poderosa a Deus para que a alma receba a glória do Paraíso, aspiração última da humanidade.

O Te Deum também é um subseguir-se de contrastes, mas o foco de Verdi no texto sagrado oferece uma interpretação diferente da tradição. Ele não vê tanto o canto de vitórias e de coroações, mas uma sucessão de situações: a euforia inicial, "Te Deum", "Sanctus"; a contemplação do Cristo encarnado, que liberta e abre o Reino dos Céus; a invocação ao "Judex Venturus" para que tenha misericórdia e, finalmente, o grito repetido pelo soprano e pelo coro, "In te, Domine, speravi", que fecha a peça, quase um pedido do próprio Verdi de esperança e luz no último trecho da vida. As peças que ouvimos esta noite são as últimas duas composições escritas pelo autor, não destinadas à publicação, mas escritas para si próprio. Mais ainda: ele queria ter sido sepultado com a partitura do Te Deum.

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