segunda-feira, 26 de setembro de 2016

domingo, 25 de setembro de 2016

Missa Cantada na Forma Ordinária?

Recentemente li na internet uma opinião segundo a qual na forma ordinária do rito romano não poderia existir "Missa Cantada", estando essa espécie de celebração apenas reservada à forma extraordinária.

Oxalá para corrigir esta opinião bastasse saber que um sacerdote formado e ordenado antes do Concílio Vaticano II, e doutorado em Música Sacra e Canto Gregoriano pelo Pontifício Instituto de Música Sacra e pela Universidade de Colónia, não tem qualquer escrúpulo em se referir à Missa Cantada na Forma Ordinária:




Mas se tal não fôr suficiente, procurarei nos próximos parágrafos esclarecer com mais razões este equívoco, e provar que a forma ordinária do rito romano admite, sim, uma Missa Cantada.

A meu ver, a razão de ser desta confusão prende-se com o facto de as normas posteriores ao Concílio Vaticano II carecerem talvez, aos nossos olhos, daquela clareza que pauta os documentos precedentes. Essa falta de clareza poderá fomentar uma "hermenêutica de ruptura", para usar as palavras do Papa Bento XVI no Discurso de 22 de Dezembro de 2005, hermenêutica segundo a qual os documentos anteriores ao Concílio não teriam utilidade para a leitura dos documentos posteriores, os quais deveriam ser lidos à luz de um suposto espírito conciliar mal definido e em última análise heterodoxo; pelo contrário, seguir uma "hermenêutica da continuidade" significa aqui preencher (o que nos parecem ser) as lacunas dos documentos recentes com os conceitos dos antigos. Dito doutra forma: há que começar pelos documentos magisteriais anteriores ao Concílio, e actualizá-los com os mais recentes.

Ora, o documento magisterial mais claro e útil onde se define o que seja uma "Missa Cantada" é a "Instrução sobre a Música Sacra e a Sagrada Liturgia", da Sagrada Congregação dos Ritos de 1958.  No respectivo número 3, pode ler-se:
Há duas espécies de Missas: a Missa cantada e a Missa rezada. Diz-se Missa "cantada" quando o sacerdote celebrante canta as partes que deve cantar conforme as rubricas; do contrário, diz-se "rezada". A Missa cantada, se fôr celebrada com a assistência de Ministros sagrados, denomina-se Missa "solene"; se fôr celebrada sem Ministros sagrados, chama-se Missa "cantada".
Naturalmente, o documento nunca faz a distinção entre as duas formas do rito romano que hoje temos, pois essa distinção não existia à época. Outra distinção que tão-pouco aparece seria a existente entre os vários usos do rito romano, ou sobre os vários outros ritos latinos que não o romano, estes sim perfeitamente enraízados à data da publicação. Na verdade, mais adiante, no número 11, pode ler-se:
Esta Instrução vigora para todos os ritos da Igreja latina; por conseguinte, o que se diz acêrca do canto gregoriano vale também para o canto litúrgico próprio dos outros ritos latinos, no caso de haver algum.
Obviamente, à época, ao ler esta Instrução, não passaria pela cabeça de ninguém que a espécie da Missa cantada existisse apenas no rito romano e não nos outros ritos (p.ex. do rito bracarense, ou mozarábico, ou ambrosiano, ou outro qualquer); se fosse esse o caso, um documento que prima pela exactidão em tantos pormenores certamente apontaria para essa distinção, mas não o faz.

Convém ainda, nesta fase do nosso raciocínio, ler, mais adiante, o número 14:
Nas missas cantadas, unicamente a língua latina deverá ser usada, não só pelo sacerdote celebrante e pelos ministros, como também pela schola ou pelos fiéis.
E o número 16, alínea b, que esclarece que:
A língua do canto gregoriano, como canto litúrgico, é ùnicamente o latim.
Portanto, "Missa cantada" refere-se a toda e qualquer Missa que seja verdadeiramente "Missa", isto é validamente celebrada, e "cantada", isto é seguindo os textos e as melodias apresentadas nos livros litúrgicos em vigor à época e no local, em língua latina. Naturalmente, este conceito vem na linha da tradição milenar da Igreja latina, na qual sempre se cantaram todas as orações segundo melodias cuidadosamente mantidas por escrito ou oralmente, e isto já se fazia antes mesmo de existir o rito romano tal como o concebemos hoje, ou desde o Concílio de Trento, ou mesmo antes da crianção do reportório musical chamado gregoriano. (A bem da verdade, convém a dizer que tão-bem as igrejas do Oriente preservaram com grande estima o canto sacro como parte integrante da Liturgia, nomeadamente da Eucaristia.)

Por conseguinte, este conceito de Missa Cantada é de aplicar a qualquer rito latino hoje em vigor, entre os quais o romano, nas suas duas formas, ordinária e extraordinária. Digo isto porque, ainda que, por absurdo, a forma ordinária do rito romano fosse considerada um rito diverso da forma extraordinária do rito romano, isso nada interferiria com a nossa conclusão. Contudo, na verdade, as duas formas do rito romano são, nas palavras do Papa Bento XVI (Motu proprio Summorum Pontificum, art. 1), "dois usos do único rito romano". E ambas podem ser integralmente não só rezadas em língua latina, como tão-bem cantadas segundo as melodias dos respectivos Missais, Graduais, Antifonais &c..

Se continuarmos a leitura da supracitada Instrução, facilmente entenderemos o porquê de a Missa cantada ter "desaparecido" da práctica litúrgica da maioria das nossas comunidades paroquiais, diocesanas e até religiosas, salvo honrosas excepções: é que com a maior valorização do vernáculo e da cultura popular, simplesmente se passou a preferir a outra espécie de Missa que já era permitida antes do Concílio Vaticano II: a Missa rezada acompanhada de cânticos populares religiosos.

Leiamos a este respeito o número 9 da Instrução de 1958:
O Canto popular religioso é o canto que brota naturalmente do senso religioso com que a criatura humana foi enriquecida pelo próprio Criador e, visto ser universal, floresce em todos os povos. Sendo êste canto extremamente próprio para imbuir do espírito cristão a vida particular e social dos fiéis, foi, desde tempos remotíssimos, muito cultivado na Igreja [nota de rodapé: Cfr. Ef 5, 18-20; Col 3, 16] e também em nossos tempos é instantemente recomendado para o aumento da piedade dos fiéis e o brilho dos exercícios da piedade; pode mesmo ser algumas vêzes admitido nos próprios actos litúrgicos.
E o número 14, alínea b:
Nas Missas rezadas, o sacerdote celebrante, seu ministro e os fiéis que juntamente com o sacerdote celebrante participam directamente da acção litúrgica, isto é, dizem em voz alta as partes da Missa que lhes cabem (cf. n. 31) devem usar ùnicamente a língua latina. Se, entretanto, os fiéis, além dessa participação litúrgica directa, desejarem acrescentar algumas orações ou cantos populares, conforme o costume local, poderão fazê-lo na língua vernácula.
Esta ideia é mais adiante confirmada, no número 33:
Nas Missas rezadas, os fiéis podem cantar cânticos populares religiosos, mantendo-se entretanto a determinação de serem perfeitamente adequados a cada uma das partes da Missa (cf. n. 14 b).
Portanto, os cânticos populares entram na Liturgia no contexto da Missa rezada, e não da Missa cantada. Isto é, quando os fiéis cantarem em vernáculo, o Magistério não exige o cântico das várias orações "que o sacerdote deve cantar"; o mesmo não podemos dizer em relação ao canto gregoriano. Com efeito, onde se cantar o Ordinário e o Próprio gregorianos (o mesmo é dizer: onde houver uma schola capaz), o sacerdote deverá cantar também (obrigatoriamente) as orações que a ele competem exclusivamente.

É que o Magistério define, para a Missa cantada, três graus de solenização da Missa com o canto gregoriano; fá-lo na Instrução de 1958, e também (de modo ligeiramente diferente em alguns pormenores mas no essencial igual) na de 1957. Leiamos o número 7 desta última:
Entre a forma solene e mais plena das celebrações litúrgicas (em que se canta realmente tudo quanto exige canto) e a forma mais simples em que não se emprega o canto, pode haver vários graus, conforme o canto tenha maior ou menor lugar. Todavia, na escolha das partes que se devem cantar, começar-se-á por aquelas que por sua natureza são de importância maior: em primeiro lugar, por aquelas que devem ser cantadas pelo sacerdote ou pelos ministros, com resposta do povo; ou pelo sacerdote juntamente com o povo; juntar-se-ão depois, pouco a pouco, as que são próprias só do povo ou só do grupo de cantores.
E os 28 a 31, onde se concretiza esta ideia:
(...) O uso destes graus de participação regular-se-á da maneira seguinte: o primeiro grau pode utilizar-se só; o segundo e o terceiro não serão empregados, íntegra ou parcialmente, senão unidos com o primeiro grau. Deste modo, os fiéis serão sempre orientados para uma plena participação no canto.
Comentário meu a esta última frase: "Deste modo, serão orientados para uma plena participação no canto", uma vez que, se o sacerdote não cantar o 1º grau, o povo não lhe poderá responder, e portanto ouvir-se-á somente a schola (2º e 3º graus). Concluamos então a leitura dos números supracitados:
29.  Pertencem ao primeiro grau:

a) nos ritos de entrada:
- a saudação do sacerdote com a resposta do povo;
- a oração;
b) na liturgia da Palavra:
- as aclamações ao Evangelho;
c) na liturgia eucarística:
- a oração sobre as oblatas,
- o prefácio com o respectivo diálogo e o "Sanctus",
- a doxologia final do cânone,
- a oração do Senhor - Pai nosso - com a sua admonição e embolismo,
- o "Pax Domini",
- a oração depois da comunhão,
- as fórmulas de despedida.

30. Pertencem ao segundo grau:
a) "Kyrie", "Glória" e "Agnus Dei";
b) o Credo;
c) a Oração dos Fiéis.

31. Pertencem ao terceiro grau:
a) os cânticos processionais da entrada e comunhão;
b) o cântico depois da leitura ou Epístola;
c)  o "Alleluia" antes do Evangelho;
d)  o cântico do ofertório;
e) as leituras da Sagrada Escritura (...)
Vemos portanto que a preferência, hoje em dia, pela Missa rezada com cânticos populares religiosos (que simplesmente exige ao sacerdote a leitura em voz alta dos livros litúrgicos, e permite aos fiéis expressarem a fé na sua própria língua, com maior economia na preparação dos cânticos), em deterimento da Missa cantada (que exige ao sacerdote uma maior preparação quer no latim quer no canto gregoriano, ademais da desejável existência de uma "schola cantorum"), resulta sobretudo de uma opção pastoral e pragmática, e não de uma mudança na estrutura do rito.

É uma "moda".

sábado, 20 de agosto de 2016

A Técnica do Fabordão

Num postal anterior citei os documentos do Magistério e afirmei que o passo seguinte a ser dado por um côro litúrgico que domine a execução do reportório gregoriano seria o avanço para a polifonia. Naquele postal, interpretei precipitadamente os documentos do Magistério, na medida em que o termo "polifonia" (que significa "várias vozes") se refere a muito mais do que apenas aquelas peças em que todas as vozes aparecem claramente escritas. A isso na época chamavam "Canto d'órgão", tratando-se de um género musical muitos graus de dificuldade acima do canto-chão interpretado monodicamente.

Entre o nível do canto monódico e o canto d'órgão, existe um nível intermédio no qual encaixaríamos dois estilos: o Fabordão, e o Contraponto. O contraponto possui regras próprias que merecem estudo e atenção, pelo que o deixaremos por agora de lado.

Já o fabordão era descrito à época como "cantar a vozes para gente que não sabe música". O nome vem de "falso bordão", isto é um falso íson, na medida em que o íson é uma das possibilidades do contraponto com suas regras, que não são arbitrárias.

Não vale a pena portanto estarmos aqui com grandes teorias musicais nem partituras para cantar um fabordão. Basta que uma parte do côro cante a voz principal, e que cada um dos restantes, enquato escuta atentamente os restantes cantores, cante o mesmo texto simultaneamente, a uma altura diferente, que soe bem ao ouvido (consonância).

Quando haja o perigo de se cair no caos (p.ex. se muitos cantores destinados ao fabordão, ou textos muito longos, etc.), pode combinar-se antes da celebração quem canta o quê e como. Há também vários exemplos históricos de fabordões fixados por escrito.

O estilo do fabordão é especialmente útil para aquelas respostas simples, sobre as quais escrevi no postal já citado, bem como para todas as outras entoações que se baseiem no recto tono.



Três Trabalhos do Paulo Valente

Agradecendo a notícia que este músico nos deu de três frutos do seu labor, transmitimo-la aqui para que também outros os saboreiem.

Traduziu-nos ele um livro sobre "O Canto Gregoriano", de Dom Daniel Saulnier, que se encontra à venda na loja em linha da Abadia de São Pedro de Solesmes.



Traduziu também um livro de Jacques Viret entitulado "Canto Gregoriano: uma abordagem introdutória" e à venda pela editora da Universidade Federal do Paraná.




Paulo Valente interessa-se pelo canto sacro histórico e reside em Curitiba, onde dirige o côro Cantus Libere, com o qual lançou em Julho último um CD de canto gregoriano, disponível para compra.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Livro "Harpa de Sião" do Pe. João Baptista Lehmann

Apresentamos, de forma bem humilde, o livro "Harpa de Sião" datado de 1957 organizado pelo padre João Baptista Lehmann.

Esse livro foi impresso no Brasil, para música Litúrgica, anterior ao Concílio Vaticano II, para, com certeza, auxiliar na criação de um repertório litúrgico nesse país, de modo a ser um auxílio para os coros. Talvez seja por inspiração do Motu Proprio "Tra le Sollecitude" do papa São Pio X. Não sei qual foi o seu alcance nas diversas paróquias do Brasil; na minha paróquia, particularmente, quando ainda nem possuía esse título, já se usava tal livro. 

Essa edição destina-se ao canto. Exitem outras edições para acompanhamento ao órgão ou harmônio, um instrumento que foi comum em muitas de nossas igrejas (na minha paróquia havia um; na minha arquidiocese vários, muitos em abandono e com defeitos). Se alguém se interessar pelas edições para órgão ou harmônio, comente, que, na possibilidade, posso tentar digitalizar as que tenho comigo.

Quem desejar acessar a Edição para o Canto do referido livro, pode fazê-lo aqui.

Na foto abaixo, temos o exemplo de uma música do livro "Harpa de Sião". É primeira partitura, uma música para o Advento. Parece-me que ainda hoje é muito conhecida por aqui no Brasil, mas, ao invés do refrão em latim, usa-se em língua portuguesa, que também é bonito: "Orvalhai, lá do alto, ó céus, e as nuvens chovam o justo".

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Ennio Moricone: "Faz-me falta o gregoriano; que erro foi abandoná-lo"

Entrevista do famoso compositor.

Quão importante foi o canto gregoriano na história da música?

Na música ocidental foi essencial. O ano zero. Se não se tivesse partido dali, provavelmente não teria sido possível desenvolver a polifonia, o contraponto, a harmonia, as primeiras formas musicais "sacras", o motete, e por aí afora... O canto gregoriano está ligado à história da nossa cultura europeia e constitui uma importante raíz musical.

Então desagrada-lhe que a tradição do gregoriano esteja um puco perdida na Igreja? 

Depois do Concílio Vaticano II, a minha atenção virou-se para a mudança que ocorreu na música na sequência daquele evento. Bem, desagradou-me muitíssimo quando se decidiu afastar da tradição musical que provinha do passado da Igreja. Talvez se tenha procurado ir ao encontro dos gostos dominantes, propondo estilos musicais mais populares, e próximos das tendências da música popular de hoje. Pareceu-me que se estava a minar uma identidade muaical importante e milenária. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Introdução à Solmização

A solmização (ou solfa) é o mais antigo método de solfejo. Foi criado pelo monge Guido de Arezo no século XI, e influenciou profundamente o ensino, a práctica, e a composição da música desde então. É um recurso de enorme utilidade ao canto gregoriano: canto-chão, contraponto, e canto-d'órgão (polifonia do Renascimento), e também ao domínio da instrumentação em música antiga.

O método que aqui se apresentará foi recuperado a partir das fontes antigas (tratados, iconografia, etc.) pelo Professor Isaac Alonso de Molina, o qual tem ensinado pessoalmente os seus alunos (sendo eu o menor de todos).

Para treinardes este método à distância, publicaremos nesta página vários vídeos filmados no côro-alto da Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição em Ferragudo (Agradecimentos: Reverendo Padre Miguel Ângelo, Sr. Carlos Almeida), alguns dos quais contendo enganos que um aluno atento facilmente detectará e corrigirá. Os esquemas foram criados pelo zeloso aluno Felipe Gomes de Souza Araújo partindo do material gentilmente cedido pelo Professor Isaac. Guardai esta página nos vossos favoritos e visitai-a no futuro. Sendo este um assunto eminentemente práctico, os interessados poderão pedir-me mais informações e esclarecimentos pelos canais habituais (comentários, email, Messenger, Skype, Whatsapp, Hangouts, etc.).


O Hexacordo

É um conjunto de 6 cordas consecutivas. Cada corda está sempre separada da vizinha por um tom, excepto a 3ª da 4ª, que estão sempre a meio-tom uma da outra.

UT  1   RE   1   MI ½ FA  1   SOL  1  LA


    Praticai os seguintes exercícios:
    • Escala para cima e para baixo:
      UT RE MI FA SOL LA, LA SOL FA MI RE UT.
    • Intervalos:
      UT RE, UT MI, UT FA, UT SOL, UT LA;
      LA SOL, LA FA, LA MI, LA RE, LA UT.
    • Terças:
      UT RE MI, UT MI; RE MI FA, RE FA; MI FA SOL, MI SOL; FA SOL LA, FA LA;
      LA SOL FA, LA FA; SOL FA MI, SOL MI; FA MI RE, FA RE; MI RE UT, MI UT.
      UT MI, RE FA, MI SOL, FA LA; LA FA, SOL MI, FA RE, MI UT.
    • Quartas:
      UT RE MI FA, UT FA; RE MI FA SOL, RE SOL; MI FA SOL LA, MI LA;
      LA SOL FA MI, LA MI; SOL FA MI RE, SOL RE; FA MI RE UT, FA UT.
      UT FA, RE SOL, MI LA; LA MI, SOL RE, FA UT.
    • Quintas:
      UT RE MI FA SOL, UT SOL; RE MI FA SOL LA, RE LA;
      LA SOL FA MI RE, LA RE; SOL FA MI RE UT, SOL UT.
      UT SOL, RE LA; LA RE, SOL UT.
    • Sextas:
      UT RE MI FA SOL LA, UT LA; LA SOL FA MI RE UT, LA UT.
      UT LA, LA UT
       

    Hexacordos Naturais

    Têm a sua 1ª (UT) em C.
    Portanto, o semitom aparece entre E e F.
     

    Natura gravis




      

    Natura acuta





    Hexacordos duros

    Têm a sua 1ª em G.
    Portanto, o semitom aparece entre B e C.
    Logo, o B é chamado de durum ou quadratum: ♮

    B-durum gravis

    À 1ª corda chamamos Γ (Gamma) pois é a letra equivalente ao G no alfabeto grego. Foram os gregos que inventaram a teoria musical.

     


     

    B-durum acutum

        


    B-durum super acutum

    O e' sobreagudo (LA) está no dorso da mão, na articulação interfalângica distal, do lado oposto ao d' (SOL).



    Hexacordos moles ou brandos

    Têm a sua 1ª em F.
    Portanto, o semitom aparece entre A e B.
    Logo, o B é chamado de molle ou rotundum: ♭

    Molle gravis

      

      

    Molle acutum



    Mutações ou mudanças


    Practicai os seguintes exercícios:
    • Escala para cima e para baixo:
      À 5ª: UT RE MI FA SOL [LA=]RE MI FA, FA MI [RE=]LA SOL FA MI RE UT.
      À 4ª: UT RE MI FA [SOL=]RE MI FA SOL, SOL FA [MI=]LA SOL FA MI RE UT.
    • Terças, Quartas, Quintas e Oitavas.
      (mudando à 5ª e à 4ª)
    • Prestai muita atenção a onde se coloca o meio-tom (sempre MI-FA).
      

    À 5ª

     
    SOL RE ao subir
    MI LA ao descer
      

    Na mutação à 5ª, a 4ª fa-sol-re-mi é uma 4ª aumentada (trítono): fa contra mi, diabolus in musica, intervalo proibido.

    À 4ª


    FA RE ao subir
    FA LA ao descer



    Na mutação à 4ª, a 5ª mi-fa-re-mi-fa é uma 5ª diminuta: mi contra fa, diabolus in musica, intervalo proibido.
     

    Mutações subindo dos hexacordos naturais para os duros

    Sempre à 5ª.
      

    Natura gravis, durum acutum



     

    Natura acuta, Durum super acutum

      

    Mutações subindo dos hexacordos duros para os naturais

    Sempre à 4ª.
     

    Durum gravis, Natura gravis



     

    Durum acutum, Natura acuta

     
      

    Mutações subindo dos hexacordos naturais para os moles

    Sempre à 4ª.
     

    Natura gravis, Molle gravis



    Natura acuta, Molle acutum

     

    Mutações subindo dos hexacordos moles para os naturais

    Sempre à 5ª.
     

    Molle gravis, Natura acuta

     


    O Gammut e a Mão Guidoniana


    "Gamma Ut"

    Cada corda pode ter um ou mais nomes conforme o hexacordo em que estejamos.
      







    A Mão de Guido d'Arezzo

     
    Manus Guidonis



        Para dominar este método:

        • Repetir todos os exercícios q.b..
        • Solmizar com a mão esquerda,
          com as duas mãos simultaneamente,
          e com a mão direita sozinha.
        • Com os olhos abertos
          e com os olhos fechados.
        • Cantando
          e em silêncio.
        • Com as palmas da mão viradas para a cara,
          com uma virada para a cara e a outra para a frente,
          e com as duas para a frente.
        • Com as mãos no ar,
          ao nível da cara,
          e atrás das costas.
        • Treinar a obediência à afinação dada pelo 1º cantor (incipit):
          Solmizar todos os hexacordos e mutações partindo da mesma altura;
          repetir este exercício partindo doutras alturas diferentes.
        • Treinar a máxima extensão vocal:
          Escolher uma altura suficientemente grave em que partindo da corda mais grave (Γ) se consiga cantar até à mais aguda (ee) passando por todas as que entre elas estão e solmizando todos os hexacordos e mutações da mão de Guido. A tessitura normal de um cantor deveria abranger toda uma mão (20ª).
           

        Regras adicionais para se usarem somente quando cantando a partir de partituras originais (facsimile de documentos históricos): 

         

        Una super la est semper fa.

         
        Sempre que fôr necessária cantar só uma corda imediatamente acima do hexacordo em que estamos a cantar, não é preciso mutar, cantando essa nota como um fa, meio-tom acima do la: ut re mi fa sol la fa.
        • P.ex. se estamos a recitar em a e aparece um b isolado sem indicação de b-molle, assumimos que será mole, e cantamos la fa la
         

          Clausula finalis

           
          Na cadência final de uma peça, se a corda final fôr precedida por uma corda inferior num grau contíguo, essa corda pode ser cantada a meio-tom de distância da corda final i.e. na notação moderna receberia um sustenido #. Excepções:
          • Quando a corda final seja mi (pois o meio-tom fa está imediatamente acima).
          • Quando o intervalo que se cantar para atingir essa corda resultar num intervalo proibido: 4ª diminuta, 4ª aumentada (trítono) ou 5ª diminuta.
          • Quando em contraponto a cláusula finalis resultar em dissonância com as outras vozes.
           

              Algumas razões pelas quais este método de solfejo é mais apropriado para a música sacra (para além do que já foi dito)

                 
                • O canto gregoriano é música recta, i.e. maioritariamente sem acidentes nem alterações.
                • Todos os intervalos possíveis permitidos se treinam com este método.
                • Algumas peças têm um âmbito de uma 6ª, exactamente onde encaixa um hexacordo de Guido (p.ex. Comunhão Tu mandásti, molle gravis).
                • Ainda que a maioria tenha um âmbito um pouco maior (cerca de uma 8ª), a maioria dos segmentos de cada peça podem cantar-se sem ser necessário mudar de hexacordo (economia de mutações).
                • Fica fácil cantar paralelismos à 5ª (ou à 4ª).
                   

                Solmização do Reportório Gregoriano

                   
                  • Identificar a corda de recitação / arquitectural ou estrutural / tenor salmódico da peça em causa.
                    • Peças sem modo atribuído: será a corda mais vezes cantada, aquela em que se repetem consecutivamente várias sílabas.
                    • I modo: A
                    • II modo: F
                    • III modo: B durum
                    • IV modo: A
                    • V modo: C
                    • VI modo: A
                    • VII modo: D
                    • VIII modo: C
                  • Todas as peças ao longo duma celebração terão a sua corda de recitação enoada sempre à mesma altura. Uma altura cómoda para a maioria dos córos será a que corresponde ao nosso A moderno (440 Hz) dado na Igreja pelo diapasão ou instrumento (la2 vozes graves ou la3 crianças). Há no entanto liberdade para escolher outra corda, desde que seja a mesma ao longo da celebração.
                  • Ouvir essa altura e dar-lhe em voz baixa o nome de solmização que recebe a corda de recitação da peça que cantaremos.
                  • Solmizar o intervalo desde a corda de recitação até à primeira corda.
                  É o que farei ao longo de vários vídeos que divulgarei no meu canal pessoal no youtube. Subscrevei-o para ficardes a par. Cada vídeo será incrustado no postal a que pertence; ficarão todos agrupados pela etiqueta Solmização.

                    sábado, 18 de junho de 2016

                    Concerto: Silêncio, sete epigramas para coro a capella (2012)

                    Serão hoje e amanhã os concertos em que será interpretada uma obra do nosso Amigo e Maestro Luís Lopes Cardoso: A não perder!
                    Eventos no Facebook: Évora e Lisboa.







                    Luís Lopes Cardoso  
                    Compositor,

                    sábado, 5 de março de 2016

                    AULAS de MÚSICA SACRA no ALGARVE

                    Inscrições Abertas Ano 2016 / 2017

                    Objectivos: Formar Cantores
                    para a Santa Missa e a Liturgia das Horas,
                    Segundo os Ensinamentos do Magistério
                    e a Tradição da Igreja Católica.
                     Matérias: Canto Gregoriano, Solfejo Medieval,
                    Língua Latina, Polifonia Antiga.

                    Não é necessária formação musical prévia.

                    Locais preferenciais
                    : Algarve (Ferragudo) e Baixo Alentejo.
                    Horário: a combinar.
                    Preço: pagamento dos materiais pedagógicos.
                    Inscrições: Contactar o Professor: Francisco Vilaça Lopes




                    Portimão \ Música Sacra \ Ferragudo \ Polifonia \ Mexilhoeira Grande \ Música Erudita \ Alvor \ Música Antiga \ Lagoa \ Órgão de Tubos \ Estômbar \ Técnica Vocal \ Monchique \ Solfejo \ Silves \ Composição \ Parchal \ Canto a capella \ Salmo Responsorial \ Oração dos Fiéis \ Latim \ Carvoeiro \ Canto acompanhado \ Aulas individuais \ Odiáxere \ Aulas em grupo \ Lagos \ Academia \ Porches \ English-speaking \ Loulé \ Francofone \ Albufeira \ Anglican Mass \ Armação de Pêra \ Faro \ Missa Tridentina \ Aljezur \ Forma Extraordinária do Rito Romano \ Sagres \ Partituras \ Vila do Bispo \ Combate ao Stress \ Praia da Luz \ Meditação \ Igreja Matriz \ Tavira \ Órgão Histórico \ Igreja de São Lourenço em Almancil \ Órgãos Ibéricos \ Olhão \ Claves \ Vila Real de Santo António \ Odemira \ Zambujeira do Mar \ Festival Med

                    sábado, 20 de fevereiro de 2016

                    2016 Cursos de Canto Gregoriano, Polifonia e Órgão de Tubos para Músicos Litúrgicos [ACTUALIZADO]

                    2016

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