domingo, 14 de Setembro de 2014

Códigos GABC de alguns cânticos gregorianos em Português

Temos preparado alguns cânticos gregorianos que queremos deixar à vossa disposição: cânticos da Missa, prefácios, Liturgia das Horas, etc. Estes cânticos estão codificados na linguagem GABC. Estão disponíveis nesta folha de cálculo do Google:


Esta folha de cálculo será actualizada com as novas contribuições dos contribuidores.


https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0Av49DNLJY_kvdGxrZlRWNFQxQ1h1aUZiYUpFTkdCRUE&usp=sharing

22 Novembro, Missa de Santa Cecília

Se Deus quiser, comemoraremos o aniversário da constituição da nossa Escola de Música de Ferragudo cantando na Santa Missa na Forma Extraordinária no próximo dia 22 de Novembro de 2014, dia da Festa da Padroeira da nossa schola.

Eis as partituras, cujo PDF podereis descarregar:
  • Intróito Loquébar
  • Gradual Áudi fília
  • Aleluia Quinque prudentes vírgines
  • Ofertório Offerentur ... proximae
  • Comunhão Confundántur 
  • Final Cantántibus órganis (antífona de Laudes)
Todos os cânticos próprios estão editados em notação qüadrada-neográfica, isto é com as informações melódicas, rítmicas, e expressivas, dadas pelos manuscritos gregorianos mais antigos, nomeadamente de São Galo. Inclui-se ainda o Confiteor da forma extraordinária do rito romano.



As peças do ordinário serão do Kyriale Romanum: Missa VIII De ángelis, com o Credo III.

Agradecimentos especiais:

Santa Cecília

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Laudes de S. João Crisóstomo, 13 de Setembro

Descarregai o PDF com os cânticos gregorianos em Português:
  • Hino "Bôca de Ouro"
  • 1ª Antífona, Vós sois a luz do mundo (Mateus 5,14), com o Salmo 62(63),2-9
  • Leitura breve (Sabedoria 7,13-14)
  • Responsório breve "Que os povos da terra"
  • Preces, com o refrão "Apascentai, Senhor, o vosso rebanho!"

https://db.tt/BG2OJ3xI

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Salmo Responsorial Gregoriano em Português!


Para cada Missa, tendes duas opções à escolha:
  1. Optais pelo Responsório Gradual, indicado pelo livro Graduale Romanum. 
  2. Optais pelo Salmo Responsorial do Leccionário Romano.

Tomemos o exemplo da Missa ferial da 6ª Feira da XXVª Semana do Tempo Comum, ano par.

1. Responsório Gradual do Graduale Romanum

Esta é a opção mais tradicional, e solene. No caso do dia escolhido, o Responsório Gradual indicado pelo livro Graduale Romanum, na página 340, é o Dirigátur orátio mea:



Ouçamo-lo:



Lindíssimo! Dada a enorme diferença entre o que acabámos de ouvir e o que estamos habituados a ouvir na Missa como "Salmo Responsorial", tentarei explicar as vantagens de escolhermos o Responsório Gradual clássico para as nossas celebrações, em vez do moderno Salmo Responsorial como apresentado no Leccionário.

Em 1º lugar, o nome: Responsório Gradual (Responsorium Graduale). Ele é responsorial porque vem responder à Leitura que o antecede (e não pelas respostas que o povo vai dando a cada versículo).

Acontece que, na Tradição, as Leituras são proclamadas com grande sobriedade, com o texto entoado de modo muito simples, monocordicamente e destacando-se somente o fim dos períodos (como nos exemplos que dei para o Imaculado Coração). Isto destina-se a facilitar a percepção do texto pelo pôvo no espaço sagrado. Segue-se então um momento de meditação sobre a Leitura, que é feita invertendo esta estética: pouco texto, mas muito ornado. Esta forma musical pretende dar espaço à ruminatio da Palavra de Deus, e exteriorizar os sentimentos da alma que tem em si a Palavra de Deus, não com verborreia ôca, mas com música celestial, porque aquilo que sente não há como explicá-lo. Santo Agostinho dizia:

Não procures palavras, como se pudesses explicar a Deus aquilo que o agrada: canta com gritos de alegria.

Ou, melhor, como dizia Jesus:

Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito. Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes.

E é Graduale, porque antigamente era cantado um degrau (gradus) acima daquele donde era proclamada a Leitura, como que expressando a tentativa de subir até Deus através da meditação da sua Palavra.

Solução semelhante acontece na Liturgia das Horas, em que uma Leitura é seguida por um Responso. Este responso oferece a chave cristológica para a Leitura, ou selecciona algum ponto especial digno de meditação. Todavia, como a Missa é mais importante para a vida da Igreja do que a Liturgia das Horas, o Responsório recebe na Missa maior solenidade do que na Liturgia das Horas.

Musicalmente, esta alegria que não se consegue explicar é traduzida pelos melismas, aquelas longas sequências de notas atribuídas a uma mesma sílaba. Obviamente difíceis de cantar, e impossíveis de repetir pela maioria das assembleias, requerem algum ensaio e destreza no canto em público, e como tal destinam-se ao cantor, que é alguém cujo ministério específico é cantar para a glória de Deus, O qual é servido - assim esperamos - com música de primeiríssima qualidade; e para a edificação dos fiéis na assembleia, aos quais é dado escutar a Palavra de Deus. Esta é a Tradição da Igreja.

Falta ainda dizer que:
  • é recomendável que a assembleia seja guiada para esta dinâmica de escuta e meditação, em vez de escuta e repetição.
  • parece muito difícil, mas com tempo de ensaio, é fácil um ou dois cantores aprenderem a cantar o Gradual. O mesmo Gradual canta-se muitas vezes todos os dias da mesma semana, e aparece noutras semanas, seja com o mesmo texto, seja com texto diverso mas com melodia semelhante.
  • uma vez que o Responsório Gradual é uma forma musical de grande solenidade, é conveniente (mas não obrigatório) que outras secções da Liturgia da Missa, musicalmente mais simples, sejam também cantadas (como tentei explicar neste artigo), tais como: saudações, aclamações e diálogos entre Celebrante e Assembleia; orações do Celebrante, principalmente colecta e prefácio da Oração Eucarística; Pater Noster, Sanctus, e outros cânticos do Ordinário (Kyrie, Gloria e Credo quando se cantam, e Agnus Dei); Leituras e Oração dos Fiéis.
  • nas missas feriais, em que se lê uma só Lição antes do Evangelho, o canto do Responso dispensa o canto do Alleluia, e vice-versa. Podemos dispensar um, mas também podemos cantar os dois.
Se quisermos cantar o Gradual em Português, basta escrever o texto vernáculo debaixo das sílabas em Latim:




2. Salmo Responsorial do Leccionário

Para as Igrejas mais humildes, que não consigam integrar o Gradual clássico na sua vida Litúrgica, seja pela razão que fôr, e que tão-pouco encontrem nas edições de "Salmos Responsoriais" correntemente em voga o espírito gregoriano mais autêntico, tentarei de seguida oferecer uma alternativa, fiel ao texto litúrgico, fiel à estética gregoriana, e simples de cantar e repetir.

Este Salmo Responsorial teria os versículos entoados monocordicamente (sempre na mesma nota, excepto as pequenas inflexões no início e no fim, respectivamente chamadas de entoações e cadências), e um refrão também muito simples, um pouco mais melódico do que os versículos. O resultado seria muito semelhante à salmodia da Liturgia das Horas, o que por um lado permitiria a participação vocal da assembleia na Liturgia, mas por outro teria o inconveniente, como já foi dito, de não ser Tradição da Igreja exigir do pôvo uma aclamação neste momento, nem ser tradicional a Liturgia das Horas e a Missa receberem um tratamento musical idêntico, como se tivessem idêntica importância.

Pois bem, tomemos o nosso exemplo da Missa da 6ª Feira da 25ª Semana do Tempo Comum, ano par. O refrão do respectivo salmo responsorial é:
Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
Que tem 12 sílabas. Vamos ao último melisma do refrão do Gradual deste dia, e seleccionamos as últimas 12 notas:


Que seriam mi-ré-dó-dó-si-sol-si-lá-si-lá-lá-sol. Aplicando estas 12 notas às 12 sílabas do refrão, ficamos com o seguinte:


Que já dá para sentir algo do Gradual original.

Faltam os versículos. Como o nosso refrão é do 7º modo, os versículos também serão do 7º modo. Entoaremos os versículos com as fórmulas salmódicas que se usam nos Intróito e Comunhão da Missa, os chamados "tons do Gloria Patri", conforme publiquei algures.

A ideia é dividir cada versículo em 2 metades, os chamados "hemistíquios". As primeiras sílabas do 1º hemistíquio começam com a entoação inicial (itálico), e nas últimas sílabas do 1º hemistíquio colocamos a cadência intermédia (negrito e itálico). O 2º hemistíquio começa com a entoação intermédia (itálico), se fôr muito grande tem uma flexa a meio caminho (negrito), e termina com a cadência final (negrito). Com a práctica, sai assim (MP3):



Se achardes necessário, transponde para uma tessitura mais confortável.
Já experimentei este método com vários Salmos, e resulta sempre bem :)

Descarregai uma folha pautada, e experimentai-o vós!

São Bento, rogai por nós.
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