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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Cânticos próprios de São Filipe Neri, 26 de Maio / Philippus Neri, presbyter, 26 maii


Programa Musica AEterna, dirigido por João Chambers, da Antena 2, dedicado a'Os 500 anos do nascimento de São Filipe Néri (1515-1595), sua biografia, e música da época.



Escutai tão-bem a aula do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior sôbre A vida de São Felipe Néri.



Página 564 do Graduale Romanum Triplex:
  • Intróito Cáritas Dei diffusa est.
    • Fora do tempo pascal, Os iusti meditábitur.
  • Alleluia O quam bonus.
    • Fora do tempo pascal, Gradual Venite, filii, audite me.
  • Ofertório Benedic, anima mea.
  • Comunhão Magna est gloria eius.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Padre Paulo Ricardo pede um movimento para renovar a música litúrgica

Episódio 109 da série "ao vivo com o Padre Paulo Ricardo":




E como neste blog nada mais se pretende do que divulgar a boa música católica, escutai a versão portuguesa do Agnus Dei XVIII (MP3), o qual é cantado nas missas feriais do Advento, da Quaresma, e de defuntos, e cuja partitura adiante se apresenta (PDF):

Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, apieda-Te de nós.
Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, dá-nos a paz.
Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, dá-lhes o descanso.
Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, dá-lhes o descanso sempiterno.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Padre Paulo Ricardo responde: "É permitido músicas protestantes dentro da Santa Missa?"



A música executada na celebração da Santa Missa, como tudo que envolve esta celebração -- centro da vida do cristão católico -- não é qualquer música, portanto, não pode ser escolhida aleatoriamente. A Igreja, ao longos dos seus dois mil anos de História, sempre teve especial atenção aos cânticos e músicas executadas nas mais diversas celebrações, especialmente na Santa Missa. O Catecismo da Igreja Católica dedica os números 1156, 1157 e 1158 a explicar a importância do canto e da música para a liturgia:

" A tradição musical da Igreja universal constitui um tesouro de valor inestimável que se destaca entre as demais expressões de arte, principalmente porque o canto sacro, ligado às palavras, é parte necessária ou integrante da liturgia solene. (...) O canto e a música desempenham sua função de sinais de maneira tanto mais significativa por estarem intimamente ligadas à ação litúrgica, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos movimentos previstos e o caráter solene da celebração. Participam assim da finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis. (...) Todavia, os textos destinados ao canto sacro hão de ser conformes à doutrina católica, sendo até tirados de preferência das Sagradas Escrituras e das fontes litúrgicas."

Ora, o texto do CIC é bastante claro no sentido de que a Igreja possui a música como patrimônio e este não deve ser jogado fora. Não é possível deixar de lado esse tesouro em detrimento de músicas que estão "na moda". É preciso perceber que o canto e a música colaboram para que o fiel mergulhe no mistério da celebração e aproxime-se do centro que é Deus. O Papa Bento XVI, em sua exortação apostólica Sacramentum Caritatis é ainda mais objetivo quando diz:

"Na sua história bimilenária, a Igreja criou, e continua a criar, música e cânticos que constituem um patrimônio de fé e amor que não se deve perder. Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; a propósito, é necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de gêneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia. Enquanto elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração; consequentemente, tudo — no texto, na melodia, na execução — deve corresponder ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos. Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo — como foi pedido pelos padres sinodais — que se valorize adequadamente o canto gregoriano, como canto próprio da liturgia romana."

Assim, percebe-se que a música e o canto não podem ser escolhidos sem critérios, deve-se respeitar o sentido da liturgia, que é adorar a Deus, fazendo memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso sair do antropocentrismo e devolver a Deus, seu lugar no centro da celebração.

De forma prática, necessário se faz considerar ainda que nem todo católico possui formação adequada para perceber eventuais erros teológicos ou mesmo heresias que possam estar inseridas em músicas protestantes. É um mal que pode e deve ser evitado. Seguro, então, é caminhar pela vereda apontada pelo Doce Cristo na Terra, o Papa Bento XVI: preservar o patrimônio de fé e de amor que é a música e o canto sacros, utilizando-os e focando na formação dos músicos, "valorizando adequadamente o canto gregoriano, como canto próprio da liturgia romana".


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Música própria para as Exéquias e Missa de defuntos / Liturgia defunctorum

Nota prévia: para a melhor execução destes cânticos, recomenda-se a frequência dos cursos com Monsenhor Alberto Turco.

Cânticos para o velório

Quando o corpo do defunto fôr depôsto no féretro, podem cantar-se estas antífonas com seus salmos:


Apud Dominum misericórdia et copiosa apud eum redémptio, com o salmo 129 - De profundis:





Memento mei Dómine Deus dum véneris in regnum tuum, com o salmo 22:




Missa

Por ocasião do 30º dia do falecimento da minha avó, reuni um grupo de jovens amigos totalmente inexperientes no canto sacro e mais 2 membros da Capella, e ensaiei com eles o reportório da missa de Requiem, que incluiu as seguintes peças:

Missa de Requiem - 9 de Dezembro de 2011

Intróito e Gradual do Graduale Novum, na versão restaurada do Graduale Romanum, livro editado a pedido da Constituição Apostólica Sacrosanctum Concilium, nº 117, a qual disse: «Procure terminar-se a edição típica dos livros de canto gregoriano; prepare-se uma edição mais crítica dos livros já editados depois da reforma de S. Pio X.».

Aleluia, Ofertório e Comunhão do Graduale Simplex, edição que responde ao mesmo nº do mesmo documento: «Convirá preparar uma edição com melodias mais simples para uso das igrejas menores.»

Para ensaiar as peças, criei uma playlist no Youtube, e distribui-a aos cantores para cada um ensaiar por si:


Ensaiámos uma vez na mesma semana da missa, e no próprio dia antes da missa. Gravámos um excerto do intróito da Missa, que considero um bom exemplo do que se poderá fazer em qualquer paróquia, haja vontade para tal:


Volto a frisar que cantaram homens na casa dos 20 sem quaisquer conhecimentos prévios de canto gregoriano, leitura de partituras musicais, ou técnica vocal, sob a direcção de um maestro (eu) sem preparação e que não havia nunca até à data dirigido um côro. A reacção de celebrante e assembleia, no final da missa, foi calorosa e agradecida.

Esta participação numa missa ferial teve também as particularidades de ter sido acompanhada a órgão, em quase todas as peças, e de ter sido proclamada a 1ª Leitura em português, segundo a entoação gregoriana proposta para o efeito no Graduale Romanum. A todos os que permitiram que isto acontecesse, os meus sinceros agradecimentos.

Outra gravação do intróito Requiem, pelo projecto eslovaco graduale:




Não deixeis de escutar (ou ler) a meditação do Padre Paulo Ricardo sobre o hino Dies irae. Este poema forma a Sequência que se canta antes do Evangelho na Missa de Defuntos na Forma Extraordinária do Rito Romano (Missa Tridentina), mas na Forma Ordinária (Pós-Vaticano II) ainda pode ser cantada durante as Laudes e Vésperas da Liturgia das Horas na 34ª semana do t.c., depois do Domingo de Cristo-Rei.


Ainda sôbre esta seqüência escreveu Bruder Jakob:
È stato per secoli uno dei canti liturgici più conosciuti e diffusi sia nella liturgia sia nell’ambito della vita sociale quotidiana. L’esplicito riferimento alla morte e al giudizio finale ne hanno fatto un testo meditato con un profondo sentimento di speranza nella misericordia di D-i-o; ma non mancano situazioni che sfuggono alla fede e alla razionalità per sfociare nell’universo nebbioso della superstizione e del grottesco fantastico. Per tanti motivi il Dies irae ha destato attenzione in campo musicale, tanto che è difficile calcolare il numero delle sue elaborazioni vocali e strumentali. Alcuni temi della versione tradizionale – che si può far risalire al secolo XII-XIII – hanno offerto lo spunto per nuove musiche polifoniche e orchestrali sino alla recente composizione del gallese Karl Jenkins inserita nella messa da Requiem. Per non parlare delle tante citazioni sparse in altre opere come la Sinfonia fantastica di Berlioz, la Danza macabra e il Mefisto Valzer di Liszt, alcune composizioni di Rachmaninoff.
Il Dies irae proviene dalla rilettura di vari testi presenti nella tradizione cristiana a partire da un passo del profeta Sofonia (1, 15-16). Non mancano paralleli in alcuni canti liturgici della liturgia dei defunti, nonché espressioni desunte dal vocabolario giuridico romano e patristico. Non è escluso che almeno una parte del Dies irae sia stato concepito quale tropo del responsorio Libera. Altri elementi confluiti dalla redazione testuale sembrano derivare, secondo VELLERKOOP, dal patrimonio simbolico. Il processo creativo del testo si attesta probabilmente prima come preghiera poetica, modificata e assunta in un secondo tempo come sequenza. Il testo è formato da versi trocaici a rima baciata (aaa bbb ccc …). Quest’ultimo è un elemento che distingue il Dies irae, ad esempio, dalla tessitura delle sequenze parigine (aab ccb dde ffe …).
La sequenza nella forma classica presenta una melodia ripetuta su due strofe (aa bb cc dd …).. Nel Dies irae la struttura è complessa, sembra quasi amplificare l’impianto arcaico delle sequenze a doppio corso (aa bb cc aa bb cc …):
sezioni melodie strofe
I ABC 1-2, 7-8, 13-14
II ABC 3-4, 9-10, 15-16
III ABC 5-6, 11-12, 17
IV AB 18
V AB 19
VI AB 20
Preghiera divenuta musica, la sequenza è un canto che esprime la fede del popolo cristiano, la prospettiva che si apre a ogni credente mentre s’avvicina all’incontro faccia a faccia con D-i-o. Alcune espressioni rivelano una cultura che lascia oggi perplessi, ma occorre leggere e meditare e cantare il Dies irae con l’orecchio teso a recepire le parole del poema all’interno della tradizione orante della Chiesa. Tutti gli uomini – rappresentati qui dalla cultura ebraica (Davide) e classica europea (la Sibilla) – potrebbero immaginano nel momento del giudizio universale una dissoluzione catastrofica del mondo, ridotto ormai a cenere e brace. Tremore e panico pervadono ogni realtà nel momento in cui giunge il giudice cui nulla sfugge, il cui sguardo non può essere fermato da nessuna astuzia umana. Ci troviamo quindi in un momento assai critico. C’è da tapparsi le orecchie per non udire il frastuono di una tromba che infila le sue vibrazioni in ogni tomba e le sconquassa. Che pensare? Siamo liberi ormai dalla morte o siamo pressati sotto il trono del giudice che implacabile ci condannerà senza scampo?
Si potrebbe andare avanti nel leggere la sequenza con occhiali che oscurano l’orizzonte, con la sensazione crescente che ormai non c’è più nulla da fare, più nulla da sperare. Nel punto preciso in cui si avverte che ormai non c’è più possibilità di ritorno, di scampare all’ira divina, la liturgia fa echeggiare nei vocaboli una risonanza diversa.
La sequenza non è un canto pagano piagnucolato da una massa incredula o gridato da un cuore disperato. La sequenza parte dalla situazione paganeggiante in cui viviamo anche se cristiani, con le nostre abitudini sociali e mentali che sono sfuggite alla conversione del Vangelo. Ma forse resta ancora qualche cosa, risuona un’eco lontana, si fa strada una voce, la speranza. Sì, c’è senz’altro un trombone che getta confusione e mette paura. Ma non esiste soltanto la tuba del Dies irae. Beata con la paura che riesce a zittire il chiacchiericcio interiore.
In un momento di silenzio forse riusciamo di nuovo ad ascoltare non più noi stessi, ma LUI. E con la tremolante mano tesa dell’accattone riusciamo a cogliere altri canti. Un canto diverso ora risuona e ci avvolge: Exultet iam angelica turba caelorum … et pro tanti regis victoria tuba intonet salutaris. Certo, quando risorgeremo per rispondere al giudice, saranno sorprese e la morte e la natura, ma sarà sempre poca cosa, anzi nulla, a confronto con lo stupore travolgente di quando Cristo è risorto.
Nell’ottica pasquale della morte e risurrezione del Verbo incarnato, le asperità della sequenza sono smussate e mitigate. I nostri tradimenti svaniscono alla luce della fedeltà di D-i-o. I nostri peccati – O felix culpa! – evidenziano ancor di più la grazia redentrice. Il peccatore si rianima, il giusto trova serenità nell’umile gratitudine che fa della sua vita un rendimento di grazie, memoria e prolungamento dell’Eucaristia. La vittoria del re sulla morte rivela la sua dolcezza. È la fonte dell’amore misericordioso che trasfigura l’immagine, ingigantita dai nostri malaffari, del re spietato, terrificante.
Così riprende con maggior respiro la preghiera. Abbiamo ricuperato la fiducia in Qualcuno che talora stentiamo a riconoscere. Il Verbo di D-i-o, che si è reso visibile, che si è potuto avvicinare e toccare, proprio a causa mia ha lasciato la sede paterna, si è messo in viaggio, ha girovagato per le strade del Medio Oriente per cercarmi. Di porta in porta ha bussato, ha incontrato tante persone ferme a discutere oppure a oziare. A tutti ha rivolto lo sguardo, fino allo stremo ha guardato tutti per vedere me. Non sia stata vana tutta quella fatica! Ora abbiamo la forza di reggere la presenza del giudice perché comprendiamo che solo da Lui viene la giustizia, che solo in Lui potremo essere giusti accogliendo, sempre da Lui, il perdono, la remissione delle colpe. Quando non troviamo parole per dirgli le nostre pene e confessare le nostre colpe, sarà l’arrossire a svelargli con il nostro imbarazzo anche il desiderio di metterci alla sua presenza, di aprirgli il nostro cuore. Sempre consapevoli che le preghiere non saranno mai adeguate a esprimere la preghiera della nostra vita. Siamo in compagnia della Maddalena, del buon Ladrone, di quanti hanno ricuperato la dimensione della speranza abbandonandosi alla sua misericordia. Con i santi attendiamo con ansia di raggiungere i beati. Sarà un giorno di pianto, ma le lacrime della vergogna e della sofferenza si trasformeranno in lacrime di gioia. Pie Iesu Domine, Tu ora ci chiami, Tu ci inviti a entrare nel tuo riposo.


Gravação do ofertório Domine Iesu Christe, pelo eslovaco:



Improviso para órgão inspirado nos intróito e comunhão Lux æterna da missa dos mortos:



Escutai também as seguintes versões polifónicas para a Missa pelos defuntos:

Missa a 6 vozes, do Frei Manuel Cardoso:



Missa a 6 vozes, de Filipe de Magalhães:



Benedictus e Agnus Dei a 8 vozes da Missa pro defunctis de Gonçalo Mendes Saldanha:



Missa a 8 vozes de Duarte Lobo:

Introitus



Kyrie



Graduale



Offertorium



Sanctus



Agnus Dei



Communio



Missa de Manuel Mendes:

Introitus



Kyrie



Versículo do Gradual Responsorial




*

Gravação de 12-7-2018:
Iglesia de la Colegiata de Pastrana https://www.facebook.com/MuseoParroquialDeTapicesDePastrana
Academia de Polifonia Espanhola https://www.facebook.com/polifoniaespanola
Padre Áron OSB https://www.facebook.com/kelemen.a.osb
Cantores Sancti Gregorii https://www.facebook.com/cantoressanctigregorii
Missa Requiem de Francisco Guerrero

domingo, 3 de julho de 2011

Música e Liturgia segundo o Pe. Paulo Ricardo

Uma defesa litúrgica do canto gregoriano, embora não tão sólida do ponto de vista musical quando menciona o canto do salmo responsorial, típico do cristianismo primitivo mas caído em desuso por altura da constituição do repertório gregoriano clássico (séc. VI-VIII) ‒ altura em que o canto do salmo já tinha transitado para a esfera da schola, cabendo a um cantor solista o canto do versículo, música de grande complexidade destinada a suscitar reflexão teológica sobre a leitura anterior e a preparar a leitura posterior, e não para o canto congregacional. Na prática, o canto após a primeira leitura, que na forma ordinária da liturgia católica é habitualmente feita segundo um esquema responsorial, é, no repertório gregoriano, um momento de escuta e meditação, não de participação vocal da assembleia, constituindo um dos pontos de mais difícil conciliação entre a tradição litúrgica medieval e as tendências modernas.

domingo, 24 de abril de 2011

Música do Domingo de Páscoa / Dominica Ressurrectionis ad Missam in Die

A Ressurreição, por Tintoreto.

O cântico de entrada desta Missa é o intróito Resurréxi :




Não deixeis de ler o inspirador comentário do maestro Fúlvio Rampi a este intróito:

Obras maestras del canto gregoriano / El introito de Pascua

Es el canto de entrada del domingo de Resurrección. Aquí en una nueva ejecución que nos ofrecen los "Cantori Gregoriani" y su Maestro

de Fulvio Rampi




TRADUCCIÓN


He resucitado y estoy aún contigo, aleluya.
Apoyas sobre mí tu mano, aleluya.
Sublime es tu conocimiento, aleluya, aleluya.

Señor, tú me sondeas y me conoces,
Me conoces cuando me siento o me levanto.

He resucitado...

(Salmo 139, 5.6.1.2)



ESCUCHA







GUÍA A LA ESCUCHA


La gran “R” que ocupa amplios espacios en las miniaturas de los antiguos pergaminos y en los libros litúrgicos es el signo de la Pascua. Después de la gran “A” del introito “Ad te levavi” que inaugura el año litúrgico en el primer domingo de Adviento, he aquí ahora el “Resurrexi” que indica el corazón del mismo.

Unos pocos versículos del salmo 139, en la versión “cristológica” de la Vulgata de Jerónimo, se convierten en el texto del introito más importante del repertorio gregoriano.

Después de la conmovedora Vigilia de la noche anterior, la misa del día de Pascua se abre con este nuevo anuncio de resurrección. Un anuncio que, sin embargo, nos cuesta no definir decepcionante por la forma musical que lo adorna. La melodía es árida y procede de manera constante en una modalidad de deuterus que, partiendo de un Mi grave insistente y ligeramente adornado sólo con unos sonidos cercanos, alcanza raramente el La agudo que ratifica a duras penas incluso la pertenencia plagal al cuarto modo.

Nos preguntamos por qué no le corresponde a tanta solemnidad iconográfica una melodía exuberante. Nos preguntamos el porqué de una ostentada distancia entre la centralidad del hecho litúrgico y la reluctancia del hecho sonoro. Nos preguntamos, en resumen, qué sentido tiene anunciar la Pascua de Resurrección en este cuarto modo.

La exégesis del texto resuena en una modalidad que percibimos insuficiente, inadecuada para comunicar una noticia tan turbadora. El “Resurrexi” está contenido todo él en ese cuarto modo que evoca contextos aparentemente lejanos al misterio que se está celebrando.

Incluso sin ceder a esquematismos exasperados, hay que recordar que a cada uno de los ocho modos gregorianos – sistema denominado “octoechos” – se le atribuía, por parte de los teóricos medievales y de épocas sucesivas, un "ethos" específico. El mismo arte medieval ha querido representar visivamente las cualidades artísticas y de significado de los modos gregorianos. En este sentido son célebres las representaciones de los modos en los capiteles de Cluny y de Autun. En nuestro caso, en el capitel cluniacense correspondiente al cuarto modo aparece una elocuente inscripción que lo explica asignándole un carácter fúnebre, acompañado de un velo de tristeza.

El introito de Pascua marca, por tanto, un punto de máxima distancia entre nuestras expectativas y la propuesta real del canto gregoriano. Pero dicha distancia está medida sobre nuestra incapacidad de entrar en profunda sintonía con el componente alusivo de este repertorio, verdadera clave de cambio de su proyecto litúrgico-musical.

Hay que reafirmar que no es correcto ceder a un esquematismo exasperado ni siquiera en lo que respecta a la fascinante teoría del ethos modal. Esto significa que no todas las piezas en cuarto modo están vinculadas al luto o a la tristeza. La cuestión, obviamente, es mucho más compleja; dicho lo cual, resulta sin embargo fundamental que las diversas modalidades del canto gregoriano, como cualquier otro de sus elementos constitutivos, sean consideradas bajo distintos aspectos, buscando por ejemplo, las referencias formularias y las concordancias.

El componente alusivo proprio de la lógica formular, que se encuentra asimismo varias veces en los cantos de Cuaresma, se extiende de hecho también a la lógica modal. No sólo es necesaria una lectura inteligente de la fórmula, - que no está circunscrita a ninguna referencia evidente a casos paralelos -, sino también una mirada abierta en mérito a la utilización de las mismas estructuras modales.

No basta mirar desde dentro cada pieza gregoriana. Hay que buscar una lógica de amplio respiro, tanto en la vertiente formular como en la vertiente modal, como sucede en este caso. La delicada teoría del ethos de los modos puede revelarse, en realidad, una valiosa ayuda para descubrir una especie de “modalidad tendencial” que, partiendo de cada pieza individual, abraza todo un recorrido litúrgico, construyendo relaciones de sentido y siendo instrumento de memoria y para la memoria.

El introito “Resurrexi” es signo, expresión y cumplimiento de un recorrido litúrgico, el del Triduo pascual, durante el cual se celebran sin solución de continuidad la pasión y la muerte y la resurrección del Señor. Hay que centrar la atención de manera intencionada en la conjunción “y”, que ratifica la absoluta continuidad de los tres acontecimientos uniéndolos bajo una única mirada, según el artículo de fe proclamado en el Credo: “passus, et sepultus est, et resurrexit”.

Ciertamente, no es casual la pertenencia a la modalidad del deuterus del introito “Nos autem” que en la “Missa in Coena Domini” del Jueves Santo abre el Triduo sacro. En el célebre texto paulino (Gálatas 6, 14) encontramos el resumen del acontecimiento pascual: “Nos autem gloriari oportet in cruce Domini nostri Iesu Christi: in quo est salus, vita et resurrectio nostra: per quem salvati et liberati sumus” (En cuanto a mí ¡Dios me libre gloriarme si nos es en la cruz de nuestro Señor Jesucristo, en el que está nuestra salvación, vida y resurrección; mediante el cual hemos sido salvados y liberados). En él la cruz y la resurrección ya están unidas, entrelazadas y se anuncia, contemporáneamente, la perspectiva de salvación en una única modalidad de deuterus.

Para finalizar, hay que recordar que el mismo introito “Nos autem” del Jueves Santo está, a su vez, precedido por un recorrido en deuterus trazado por los introitos de los primeros días de la Semana Santa.

Por tanto, la “modalidad tendencial” que acompaña este camino no puede hacer otra cosa más que implicar también la Pascua. El canto gregoriano pronuncia un “Resurrexi” lleno de memoria y, por tanto, no separable de los días en deuterus de la Pasión.

Así pues, por este motivo, la ejecución aislada de este introito en nuestras liturgias nos parece muy inoportuna y fuera de lugar. Tal vez sea ciertamente así, pero no por una desilusión de la que sería responsable el canto gregoriano, sino más bien por nuestra ausencia de memoria.

La misa del día de Pascua, sin embargo, no tiene solamente el color oscuro del deuterus. Si el “Resurrexi” se ubica, como hemos remarcado hasta ahora, como cumplimiento de un recorrido concreto, es también verdad que los otros cantos del proprio de esta misa tocan todas las categorías modales fundamentales del sistema del octoechos.

El gradual “Haec dies” está en protus, es decir en la melodía-tipo de los graduales de segundo modo, mientras el ofertorio “Terra tremuit” propone de nuevo el deuterus para el texto de un salmo (Salmo 75, 9-10) de intenso dramatismo: “Terra tremuit et quievit dum resurgeret in iudicio Deus” (La tierra se asusta y se calma cuando Dios se pone en pie para juzgar).

El verdadero júbilo sólo puede ser confiado al aleluya “Pascha nostrum” y a su explosiva modalidad de tetrardus auténtico, el séptimo modo, lleno de impulso juvenil. Por último, el mismo texto paulino, enriquecido por un ulterior versículo (1 Corintios 5, 7.8), resuena en tritus plagal, el sexto modo, en la antífona a la comunión, en el que la alegría pascual encuentra un arribo sereno, devoto y se convierte en gozo pleno y contenido profundo y orante.

El anuncio pascual, punteado de nuevos “aleluyas” en cada pieza y comentado por la tan conocida como increíble secuencia “Victimae paschali laudes” es, en resumen, completado plenamente. Y resuena durante la misa en todas las lenguas modales posibles conocidas por el canto gregoriano.
__________

La partitura musical reproducida más arriba está tomada del "Graduale Novum", ConBrio Verlagsgesellschaft, Regensburg, 2011, p. 165.
19.4.2014 

Este mesmo intróito, comentado por Bruder Jakob:
14-04-2014 Pasqua - Resurrexi
L’introito pasquale presenta vari aspetti d’interesse musicologico. La melodia propone la tecnica compositiva maqam, diffusa nel Mediterraneo. Nei manoscritti, inoltre, si trova anche la lezione Resurrexit: la terza persona è esigita dalla presenza di un’integrazione tropistica. Si pensi che si conoscono oltre 160 elementi di tropo connessi con Resurrexi/xit.
La melodia in mi plagale presenta un ambito circoscritto alla sesta do-la. Il discorso musicale è estremamente sobrio; sulle prime sembra contrastare l’esuberanza della gioia che ci si attenderebbe a Pasqua. Tutto procede in maniera pacata, “sottovoce”. Sotto la guida della liturgia, ci s’accorge ben presto che la modalità espressiva corrisponde a un disegno preciso: delineare il cammino di fede con fermezza, ma senza facili entusiasmi. A Pasqua sarebbero del tutto fuori posto.
Cristo è risorto; la morte è stata sconfitta. Certamente. La risurrezione e l’ascensione di Cristo, Signore della gloria, sono sempre passi che iniziano con la passione e la morte. La vita umana nella risurrezione di Cristo è trasfigurata: non spalanca le porte a chissà quale emozione. Nella sobria ebbrezza dello Spirito, chi ha partecipato alla morte di Cristo con lui risorge a una vita che è totale adesione alla volontà del Padre, nell’adorazione senza fine.
Il salmo 138 presenta Cristo e il cristiano che si destano dal sonno. Per noi uomini, il risveglio ultimo è preceduto da tanti momenti in cui ci scrolliamo via la sonnolenza e la ruggine di abitudini che ci incrostano e rallentano la corsa gloriosa della Parola. Quasi ci meravigliamo che al risveglio troviamo ancora D-i-o al nostro fianco. Sì, perché LUI non ci abbandona mai, mentre noi ...
Il contatto con D-i-o non avviene in un incontro fuggevole. La nostra vita è tale se è in Cristo. “Alle spalle e di fronte mi circondi, e poni su di me la tua mano” (sal 138, 5). D-i-o ci ha plasmato, traducono i Settanta: il gesto della creazione è istantaneo e insieme perenne. D-i-o sorregge la sua creatura, l’innalza sino al suo cuore, gli sussurra le parole che illuminano il tragitto terreno. La sua mano onnipotente non schiaccia e non disintegra la persona; al contrario, la solleva nella leggerezza.
“Meravigliosa per me la tua conoscenza” (sal 138, 6 a): un giudizio quasi temerario che richiama subito la coscienza dei nostri limiti: “troppo alta, per me inaccessibile” (sal 138, 6 b). La liturgia pasquale ci tiene saldi alla croce. Nella sequela di Cristo poco per volta si ricapitola il mistero della sua missione nel contrasto tra la morte e la vita. Un mistero che invano tenteremmo di decifrare scomponendone gli elementi come se fosse un divertente puzzle per aguzzare l’ingegno e farci pensare che ormai è tutto chiaro e ovvio. “Mors et vita duello conflixere mirando: dux vitae mortuus, regnat vivus” canta la sequenza. 
Solidali con Cristo nella morte e nella risurrezione, siamo chiamati ad una concreta condivisione di dolore e speranza con quanti si trovano lacerati tra le tenebre più fosche e la luce abbagliante. Con Resurrexi i cantori offrono un’occasione di speranza ai profughi che trovano la salvezza mentre tanti loro figli e genitori soccombono nella fuga dalle violenze omicide. Un’occasione di speranza ai papà che vedono sbocciare una nuova vita mentre l’amata muore di parto ... “Victor rex, miserere”.


Depois da 2ª Leitura canta-se o Alleluia Pascha nostrum (MP3):


Escutai este mesmo Alleluia, cantado por uma criança de 9 anos:





Lêde o comentário de Tiago Barófio a esta Aleluia (PDF).

Depois do Aleluia, canta-se a seqüência Victimae Paschali Laudes, aqui cantada pelos Cantori Gregoriani (7:48):



E pelo eslovaco:




E pelo Pedro Manuel Desmazeiros:



Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior explica a sequência pascal:



Sequência Pascal em Português:




O ofertório desta missa é o Terra tremuit, aqui na versão polifónica de Guilherme Byrd:




A comunhão é a Pascha nostrum, aqui cantada pelo eslovaco:




Comentário da Prof.ª Idalete Giga sobre estes cânticos:





sábado, 23 de abril de 2011

Cânticos Próprios da Paixão em 6ª Feira Santa / Feria VI in Passione Domini

Partituras:
  • Livrete com traduções portuguesas e versões simplificadas (autoria Ricardo Marcelo, PDF)

«Os Evangelhos na Arte: o Crucifixo»
Programa da TV 2000, graças a enzop82.




Depois da 2ª Leitura canta-se o gradual Christus factus est , aqui na voz do eslovaco:





Cântico para a adoração da Sancta Cruz em Peregrinação, Crucem tuam, cantada pelo eslovaco:
Adoramos a tua cruz, Senhor: e a tua santa ressurreição louvamos e glorificamos: eis, então, o lenho em que vem o gáudio a todo o mundo. Deus se compadeça de nós, e nos abençoe: ilumine o seu rosto sôbre nós, e tenha dó de nós.



Os impropérios e o triságio segundo o Missal Bracarense de 1928, aqui cantados pela minha pessoa (MP3):






Padre Paulo Ricardo explica os impropérios:

Cânticos de 5ª-Feira Santa, Missa da Ceia do Senhor / In Coena Domini




1ª Antífona para o lava-pés, Postquam surréxit Dóminus, cantada pelo eslovaco: Depois que o Senhor Se levantou da mesa, meteu água na bacia, pôs-Se a lavar os pés dos discípulos: foi êste o exemplo que lhes deixou.



2ª Antífona para o lava-pés, Dominus Iesus cantada pelo francês Pedro-Manuel Desmazeiros: O Senhor Jesus, depois que ceou com seus discípulos, lavou os pés deles, e disse-lhes: Sabeis o que vos fiz, Eu (que sou vosso) Senhor e Mestre? Um exemplo vos dei, para que vós assim façais.





Padre Paulo Ricardo explica o cântico processional do Ofertório Ubi caritas:


Este cântico foi considerado pelo Papa Paulo VI como um dos mais importantes do reportório gregoriano. Gravação pelo eslovaco:




«Os Evangelhos na Arte: 5ª-feira Santa»Programa da TV 2000, graças a enzop82.




The Fourth Cup - Dr. Scott Hahn

Dr. Scott Hahn shows us how the Catholic Understanding of the Mystical Body of Christ, embodied in the Church and revealed anew in the Holy Eucharist, comes directly from the Bible. He places the Last Supper in the context of the Jewish Passover Seder liturgy. By explaining the significance of the drinking of the fourth and final cup in the Old Testament Passover meal ceremony, Dr. Hahn draws a symbolic parallel to Christ’s death on the Cross. It is an exciting concept, that will help listeners discover a whole new dimension to Holy Mass, and the relationship of the Last Supper to the Eucharistic celebration.






Em Portugal, temos uma famosa Última Ceia do escultor francês Hodart, no Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra; visitai-a:

http://www.rtp.pt/play/p1623/e165746/visita-guiada


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sobre a composição da schola cantorum

Este post pretende contribuir para uma reflexão dinâmica com os leitores sobre a questão da composição dos coros litúrgicos em geral e das capellæ gregorianæ em particular. Qual a dimensão mais apropriada? 5, 50? Homens exclusivamente, ou com rapazes também? É fácil ensaiar um coro infantil? E as mulheres, deverão abster-se do canto? Qual o status quæstionis nos documentos magisteriais? Como funciona a vossa schola?

Para ajudar a responder a estas perguntas, listar-se-ão aqui algumas citações capazes de nos ajudar, por ordem cronológica, dando especial destaque à Sagrada Escritura (Bíblia), à Tradição Apostólica (dos 1ºs séculos da Igreja, p.ex. presente nos escritos dos Padres da Igreja, figuras estas que cumprem os 3 critérios de santidade de vida, antiguidade, e boa doutrina), História e Magistério da Igreja (ensinamentos dos Papas, Concílios Ecuménicos, &c.), biografias e recomendações espirituais dos Santos mais recentes, palavras do Bispo da nossa ou da vossa Diocese, &c.. Um post dinâmico que, esperemos, cresça na pluralidade de tendências dos vários cantores da capella, dos colaboradores do blog, e dos visitantes que partilhem num comentário uma referência bibliográfica do seu estudo, uma experiência pessoal relacionada com o tema. Muito obrigado a todos.

***

Do Pentateuco, o Livro do Êxodo, em que até ao versículo 21 inclusive do capítulo 15, aquando da passagem do povo de Israel a pé enxuto através do Mar Vermelho e dos exércitos faraónicos nele se afogando, se narra que:
Então, Moisés cantou, e os filhos de Israel também, este cântico ao Senhor. Eles disseram: «Cantarei ao Senhor que é verdadeiramente grande: cavalo e cavaleiro lançou no mar. (...)» 
[Findo todo o restante hino de agradecimento pela vitória contra os perseguidores, reafirma-se a veracidade factual do milagre operado por Deus, e acrescenta-se que:]
Maria, a profetisa, irmã de Aarão [e de Moisés], tomou nas mãos uma pandeireta, e todas as mulheres saíram atrás dela com pandeiretas, a dançar. E Maria entoou para eles: «Cantai ao Senhor, que é verdadeiramente grande: lançou no mar cavalo e cavaleiro.»
Do 1º Livro das Crónicas, nos capítulos 23 e 25 na íntegra, o Rei David escolhe da tribo de Levi vários homens para o serviço do Templo, inclusive para o canto:
David, já velho e de idade muito avançada, constituiu Salomão, seu filho, rei de Israel. Reuniu todos os chefes de Israel, os sacerdotes e os levitas. Foram contados os levitas de trinta anos para cima, e o seu número, por cabeça, era de trinta e oito mil homens. Destes, vinte e quatro mil foram colocados à frente dos trabalhos do templo do Senhor, seis mil como escribas e juízes, quatro mil como porteiros e quatro mil dedicados a louvar o Senhor com os seus instrumentos musicais, que David havia mandado fazer para esse fim. David distribuiu-os por classes, segundo as linhagens de Levi: Gérson, Queat e Merari. Dos gersonitas: Ladan e Chimei. Filhos de Ladan, três: o chefe Jaiel, Zetam e Joel. Filhos de Chimei, três: Chelomite, Haziel e Haran; estes foram os chefes das famílias de Ladan. Filhos de Chimei: Jaat, Zina, Jeús e Beria. Estes quatro são os filhos de Chimei: Jaat era o chefe, e Ziza o segundo; mas Jeús e Beria, por não terem muitos filhos, foram contados numa só classe paterna. Filhos de Queat, quatro: Ameram, Jiçar, Hebron e Uziel. Filhos de Ameram: Aarão e Moisés. Aarão foi destinado para o serviço do Santo dos Santos, com os seus filhos, perpetuamente, para queimar perfumes diante do Senhor, para o servir e para dar a benção, perpetuamente, em seu nome. Os filhos de Moisés, homem de Deus, foram contados na tribo de Levi. Filhos de Moisés: Gérson e Eliézer. Filho de Gérson: o chefe Chebuel. Os filhos de Eliézer foram: o chefe Reabias; Eliézer não teve outro filho, mas os filhos de Reabias foram muito numerosos. Filho de Jiçar: o chefe Chelomite. Filhos de Hebron: o chefe Jerias o primeiro, Amarias o segundo, Jaziel o terceiro, e Joquemeam o quarto. Filhos de Uziel: o chefe Mica e Jisias o segundo. Filhos de Merari: Maali e Muchi. Filhos de Maali: Eleázar e Quis. Eleázar morreu sem filhos; teve somente filhas, que desposaram os filhos de Quis, seus irmãos. Filhos de Muchi, três: Maali, Éder e Jerimot. Estes são os filhos de Levi, classificados por famílias, cabeças das casas paternas, segundo o censo feito por cabeças. Estavam encarregados do serviço do templo do Senhor, da idade de vinte anos para cima. Pois David dizia: «O Senhor, Deus de Israel, deu a paz ao seu povo; Ele habitará para sempre em Jerusalém. Os levitas não terão mais de transportar o tabernáculo e os utensílios do seu serviço.» Fez-se o recenseamento dos filhos de Levi da idade de vinte anos para cima, segundo as últimas ordens de David. Colocados junto dos filhos de Aarão para o serviço da casa do Senhor, tinham ao seu cuidado os átrios, as salas e a purificação de todas as coisas santas e todo o serviço do templo de Deus: os pães da oferenda, a flor de farinha para as oblações, os pães finos sem levedura, as tortas cozidas sobre a chapa e as tortas fritas, e todas as medidas de capacidade e de comprimento. Deviam apresentar-se, cada manhã e cada tarde, para louvar e celebrar o Senhor, e oferecer todos os holocaustos ao Senhor, nos sábados, nas festas da Lua-nova e nas solenidades, segundo o número e os ritos prescritos, diante do Senhor. Tinham a seu cargo a guarda da tenda da reunião, o ritual das coisas santas e o ritual dos filhos de Aarão, seus irmãos, no serviço da casa do Senhor.
David e os chefes do exército separaram, para o serviço litúrgico, os filhos de Asaf, de Heman e de Jedutun, que profetizavam ao som da harpa, da cítara e dos címbalos. Eis a lista dos homens encarregados deste serviço: Dos filhos de Asaf: Zacur, José, Natanias e Assarela, filhos de Asaf, sob a direcção de Asaf, que profetizava sob a orientação do rei. De Jedutun, os seis filhos de Jedutun: Godolias, Seri, Jesaías, Hasabias, Matatias, e Chimei, sob as ordens de seu pai Jedutun, que profetizava ao som da cítara para cantar e louvar o Senhor. De Heman, os filhos de Heman: Buquias, Matanias, Uziel, Chebuel, Jerimot, Hananías, Hanani, Eliatá, Guidalti, Romameti-Ézer, Josbecassá, Malóti, Hotir e Maaziot. Eram todos filhos de Heman, vidente do rei, para cantar os louvores de Deus e exaltar o seu poder, pois Deus tinha dado a Heman catorze filhos e três filhas. Todos estes estavam, sob a direcção de seu pai, encarregados do canto no templo do Senhor. Tinham címbalos, cítaras e harpas para o serviço da casa de Deus, sob as ordens do rei, de Asaf, de Jedutun e de Heman. O seu número, juntamente com os seus irmãos, hábeis na arte de cantar ao Senhor, foi de duzentos e oitenta e oito. Tiraram, por sorteio, a ordem de serviço, sem acepção de pessoas, pequenos e grandes, mestres e discípulos. E a primeira sorte saiu a José, que era da casa de Asaf. A segunda a Godolias, a ele, aos seus filhos e irmãos, ao todo doze. A terceira a Zacur, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A quarta a Jiceri, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A quinta a Natanias, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A sexta a Buquias, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A sétima a Jessarela, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A oitava a Jesaías, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A nona a Matanias, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima a Chemaías, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima primeira a Azarel, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima segunda a Hasabias, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima terceira a Chubael, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima quarta a Matatias, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima quinta a Jerimot, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima sexta a Hananias, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima sétima a Josbecassá, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima oitava a Hanani, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A décima nona a Malóti, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A vigésima a Eliatá, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A vigésima primeira a Hotir, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A vigésima segunda a Guidalti, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A vigésima terceira a Maaziot, a seus filhos e irmãos, ao todo doze. A vigésima quarta a Romameti-Ézer, a seus filhos e irmãos, ao todo doze.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos, capítulo 7, vv. 1-13:
Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral só comem depois de lavar cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?». Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». Jesus acrescentou: «Sabeis muito bem desprezar o mandamento de Deus, para observar a vossa tradição. Porque Moisés disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’; e ainda: ‘Quem amaldiçoar o seu pai ou a sua mãe deve morrer’. Mas vós dizeis que se alguém tiver bens para ajudar os seus pais necessitados, mas declarar esses bens como oferta sagrada, nesse caso fica dispensado de ajudar o pai ou a mãe. Deste modo anulais a palavra de Deus com a tradição que transmitis. E fazeis muitas coisas deste género».
São Paulo, Apóstolo (séc. I), na 1ª Carta aos Coríntios, cap. 14, vv. 33-35:
Como acontece em todas as assembleias de santos, as mulheres estejam caladas nas assembleias, porque não lhes é permitido tomar a palavra e, como diz também a Lei, devem ser submissas. Se quiserem saber alguma coisa, perguntem em casa aos maridos, porque não é conveniente para uma mulher falar na assembleia.
O mesmo Hagiógrafo, na 1ª Epístola a S. Timóteo, cap. 2º, vv. 8-15:
Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, erguendo as mãos puras, sem ira nem altercação. Do mesmo modo, as mulheres usem trajes decentes, adornem-se com pudor e modéstia, sem tranças, nem ouro, nem pérolas, ou vestidos sumptuosos, mas, como convém a mulheres que fazem profissão de piedade, por meio de boas obras. A mulher receba a instrução em silêncio, com toda a submissão. Não permito à mulher que ensine, nem que exerça domínio sobre o homem, mas que se mantenha em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E não foi Adão que foi seduzido mas a mulher que, deixando-se seduzir, incorreu na transgressão. Contudo, será salva pela sua maternidade, desde que persevere na fé, no amor e na santidade, com recato.
Santo Agostinho de Hipona, Bispo e Padre da Igreja, n'A Cidade de Deus (séc.V), livro II, capítulo XXVIII, sobre o Carácter salvífico da religião cristã, por oposição ao culto demoníaco prestado aos deuses romanos:
Ao verem que, pelo nome de Cristo, os homens se libertavam do jugo infernal dessas potestades imundas e da sua comunidade de castigo, ao verem que os homens passavam da perniciosíssima noite da impiedade para a luz salutar da piedade, 
— os iníquos e ingratos, profunda e enraizadamente possuídos por esses espíritos nefastos, lastimam-se e murmuram.
E isto porque as multidões afluem às igrejas: formam uma casta assembleia com uma separação honesta de sexos; ali aprendem como se deve viver virtuosamente no tempo para, depois da morte, se merecer a felicidade na eternidade; ali, na presença de todos e de um lugar elevado, se proclama a Santa Escritura; os que não a cumprem, ouvem-na para castigo. Se por acaso ali acorrem alguns zombadores de tais preceitos, toda a sua petulância em repentina mudança se desvanece ou é reprimida pelo temor e pelo respeito. Efectivamente, ali nada de vergonhoso, nada de vicioso é proposto para ser visto ou para ser imitado; ali se inculcam os preceitos e se contam os milagres do verdadeiro Deus; ali se louvam os seus dons ou se solicitam as suas graças.
S. Pio X, Papa, no motu proprio sobre música sacra Tra le sollecitudini (22 de Novembro de 1903):
13. Os cantores têm na Igreja um verdadeiro ofício litúrgico e, por isso, as mulheres, sendo incapazes de tal ofício, não podem ser admitidas a fazer parte do coro ou da capela musical. Querendo-se, pois, ter vozes agudas de sopranos e contraltos, empreguem-se os meninos, segundo o uso antiquíssimo da Igreja.
Papa Pio XII, na sua Carta Encíclica Musicæ Sacræ Disciplina, dirigida aos «Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos e outros Ordinários de lugar» (25 de Dezembro de 1955):
11. (...) [O] artista sem fé, ou arredio de Deus com a sua alma e com a sua conduta, de maneira alguma deve ocupar-se de arte religiosa; realmente, não possui ele aquele olho interior que lhe permite perceber o que é requerido pela majestade de Deus e pelo seu culto. Nem se pode esperar que as suas obras, destituídas de inspiração religiosa - mesmo se revelam a perícia e uma certa habilidade exterior do autor -, possam inspirar aquela fé e aquela piedade que convêm à majestade da casa de Deus; e, portanto, nunca serão dignas de ser admitidas no templo da igreja, que é a guardiã e o árbitro da vida religiosa.
36. Antes de tudo tende o cuidado de que na igreja catedral e, na medida em que as circunstâncias o permitirem, nas maiores igrejas da vossa jurisdição, haja uma distinta "Scholae cantorum", que sirva aos outros de exemplo e de estímulo para cultivar e executar com diligência o cântico sacro. Onde, contudo, não se puderem ter as "Scholae cantorum" nem se puder reunir número conveniente de "Pueri cantores", concede-se que "um grupo de homens e de mulheres ou meninas, em lugar a isso destinado e localizado fora do balaústre, possa cantar os textos litúrgicos na missa solene, contanto que os homens fiquem inteiramente separados das mulheres e meninas, e todo inconveniente seja evitado, onerada nisso a consciência dos Ordinários" [citando Decr. S.C. Rituum, nn. 3964; 4201; 4231].
Sagrada Congregação para os Ritos, na Instrução Musicam Sacram, de 5 de Março de 1967:
22. O grupo de cantores pode constar, conforme os costumes de cada país e as circunstâncias, quer de homens e crianças, quer só de homens ou só de crianças, quer de homens e mulheres, quer, onde seja de verdade conveniente, só de mulheres.
23. [...] Quando neste grupo houver mulheres, tal grupo deve ficar fora do presbitério.
Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na Instrução Redemptionis Sacramentum (nos sites do Secretariado Nacional de Liturgia & do Vaticano) sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia (25 de Março de 2004):
47. É altamente louvável que se mantenha o benemérito costume de estarem presentes crianças ou jovens, habitualmente chamados «ministrantes» [acólitos, «meninos de coro»], que prestem serviço junto do altar como acólitos e tenham recebido, segundo a sua capacidade, uma oportuna catequese sobre a sua função. Não se deve esquecer que destes rapazinhos saiu ao longo dos séculos um notável número de ministros sagrados. Instituam-se ou promovam-se para eles associações, com a participação e ajuda também dos seus pais, de modo que com elas se providencie aos ministrantes um cuidado pastoral mais eficaz. Quando essas associações assumirem carácter internacional, competirá à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos erigi-las ou examinar e aprovar os seus estatutos. A esse serviço do altar podem admitir-se meninas ou mulheres, segundo o parecer do Bispo diocesano e no respeito pelas normas estabelecidas.
Comentário pessoal de uma leiga norte-americana, publicado no Father Z's Blog (10 de Fevereiro de 2011):
I am now the director of a ladies schola at Assumption Grotto in Detroit. Some of you may know that our parish has a very strong musical liturgy. Yes, we sing Haydn and Mozart Masses with instruments, we also sing the Chant Propers for the Extraodinary Form every Sunday at the 9:30 Mass. The men have been singing the Propers for many years, (even when the Latin Mass was the Novus Ordo), and they will continue to do so. However, the Extraordinary Form requires the chanting of the Gradual and Alleluia/Tract and these chants are the most complex in chant repertoire. The men just do not have the time to rehearse them as we do not have the forces for a separate chant only schola. The men have been forced to sing the Chant Abreges versions which are a step up in difficulty to the Rossini psalm tone propers. However our Pastor (a very fine musician), wants the full Graduals, and when ever possible, the Alleluias and Tracts chanted. His solution was to allow the ladies who wished and who had the time to rehearse, to sing them. To tell you the truth I was stunned when the suggestion was made as I did not think he would ever want women to sing the Propers. However, it is most definitely allowed or our pastor would not do it, he is known as a stickler for what is correct. Our little ladies schola is less than a month old so please pray for us. Learning these very complex chants is a marvelous opportunity for us but also a very daunting task. They are so beautiful and they should be heard not only because they are a part of our heritage as Roman Catholics but also because they allow for the “active participation” of contemplation. My understanding is that these are the only Proper chants that are sung when there is no liturgical action, everyone listens.
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