sábado, 30 de maio de 2026

«A ORIGEM DOS SINAIS NEUMÁTICOS» Dom J. Claire – Don A. Turco

Tradução portuguesa do artigo «L'Origine dei segni neumatici» apresentado por Dom Alberto Turco no curso intensivo de verão em Pádua em Agosto de 2025. Para mais informações sobre o curso de 2026: notícia Memorare.


A falta de testemunhos coevos sobre a origem dos sinais neumáticos do canto da liturgia da Igreja de Roma obriga-nos a fazer considerações sobre as diversas notações regionais do século X: paleofranca, aquitana, bretã, francesa, lorenesa e sangalesa.

Posto isso, é importante distinguir os neumas gerais dos neumas comummente denominados de «especiais». Os neumas gerais (punctum, virga) são suficientes, em sentido geral, para desenhar a linha melódica; os neumas especiais (qüilisma, oriscus, stropha, trigon) acrescentam à linha melódica algumas precisões e matizes expressivas.

A. Os neumas gerais: punctum, virga

Derivam dos acentos gramaticais, grave ou agudo, que representavam o elemento musical (cantilação) da escrita literária e que, de modo totalmente natural, foram adoptados pelos músicos para significar os correspondentes movimentos (grave, agudo) da melodia. As suas diferentes combinações geram os neumas mais complexos.

Estes sinais básicos são universais: aparecem em todas as escritas neumáticas de forma substancialmente idêntica, já que os acentos agudo e grave são essencialmente os mesmos em todas as escritas literárias.

Uma particularidade: o uncinus lorenês, forma local do punctum dilatado, é um sinal melodicamente abstracto, cujo significado, quer de som agudo, quer de grave, só ganha vida em referência a uma diastemazia incipiente, da qual é contemporâneo.

B. Os neumas especiais

    1. O problema da nota de passagem (qüilisma, oriscus)

    Dois sinais apenas não bastavam para descrever com precisão um movimento de três sons ascendente ou descendente: era, de facto, necessário repetir ou dois sons graves (punctum) ou duas notas agudas (virga). Para conferir uma verdadeira identidade à nota de passagem, recorreu-se a um sinal especial, que não era um sinal quasi-natural como os acentos agudo ou grave, mas um sinal convencional, embora se procurasse que fosse o mais “falante” possível. Estes sinais especiais derivam dos sinais diacríticos próprios da escrita literária: pontuação, contracção, elisão, abreviação; mas, justamente por causa do seu caráter convencional, não são idênticos nas diferentes escritas literárias e, portanto, terão forma diferente segundo as escritas neumáticas.

    O qïilisma (nota de passagem ascendente, em grau débil) é anotado na grafia sangalesa sob a forma de ponto interrogativo, que figura nos manuscritos de Corbie da primeira metade do século VIII; na escrita lorenesa, por sua vez, é anotado mediante o ponto de interrogação que se encontra, no mesmo período, nos manuscritos de Tours. Alguns teóricos da música viram no qüilisma sangalês o sinal do “trilo”. Daí se presume que não conhecessem as outras escritas neumáticas; por exemplo, a notação lorenesa, que possui como sinal correspondente um pequeno semicírculo acrescentado abaixo da virga. O qüiilisma sangalês nem tão-pouco se equipara a um qüilisma “descendente” da notação francesa, no qual não se entrevê qualquer ligação com os sinais diacríticos da escrita literária. Este nada mais é do que o sinal “indeterminado” (cursivo) de vários sons, ritmicamente fluidos. A este qüilisma francês é difícil atribuir uma origem precisa entre os sinais diacríticos do texto literário. Além disso, deve-se assinalar que algumas fontes manuscritas não conhecem o qüilisma, como por exemplo nos manuscritos de Saint-Denis.

    O oriscus (nota de passagem ascendente, em grau normal) provém do til, sinal de contracção ainda em uso nos nossos dias. Vem assinalado de várias formas, muitas vezes semelhantes, numa mesma escola escriturária: sangalesa, lorenesa, bretã. A notação bretã conhece apenas um sinal para a nota de passagem: o oriscus.

    2. O problema do uníssono

    Para exprimir o uníssono, muitas escritas neumáticas conhecem apenas a duplicação dos neumas gerais (punctum, virga), os quais perdem em tal caso o seu significado melódico (agudo, grave) em favor de um valor expressivo. A escrita sangalesa utiliza a virga, redobrada ou triplicada, com uma conotação de intensidade; quando, pelo contrário, quer expressar uma conotação de leveza, serve-se do sinal de elisão das escritas literárias: a stropha ou apóstrofo, que pode ser duplicada, triplicada, etc..

    O oriscus, além do seu significado de nota de passagem, foi usado também para o uníssono nas escritas sangalesa, lorenesa e bretã.

    O trigon, sinal de abreviação nas escritas literárias, é provavelmente o sinal mais convencional adoptado pela notação sangalesa para indicar duas notas em uníssono seguidas por uma terceira (e às vezes uma quarta) situada no grave. O sinal diacrítico não relembra minimamente o uníssono das duas primeiras notas.

C. Conclusões

    1. Tudo isto induz a duvidar da clássica divisão dos sistemas de notação em «neumas-acentos» e «neumas-pontos». Todas as escritas utilizam os acentos (virga, punctum), ao passo que a multiplicação dos pontos parece dever-se a uma evolução dos sinais, os quais se desagregam, não mais para indicar uma nuance rítmica, mas ou com o fim de permitir uma diastemazia mais precisa ou para indicar certos contextos compositivos particulares (pretónicos).

    2. Toda a notação neumática regional se caracteriza pela «economia do sinal». Algumas fontes manuscritas conhecem, por exemplo, uma só grafia do pes ou da clivis, etc. Outras notações, pelo contrário, como a sangalesa, dispõem de mais grafias para o mesmo neuma. Além disso, aos sinais gerais vêm atribuídos significados que classificamos como «derivados» e também «convencionais».


quarta-feira, 27 de maio de 2026

Manual de Solmização - Isaac Alonso de Molina (2025)

 

Manual de Solmisación

Pela editorial Ars Hispana saíu do prelo no ano passado o muito aguardado e necessitado Manual de Solmisación, primeira publicação tratadística do grande Maestro Isaac Alonso de Molina, que nos ensinou a solfa.

Esta singela obra resulta de mais duma década de estudo do solfejo histórico tal como apresentado em múltiplos tratados, iconografia e repertório medieval e renascentista europeus, sempre aplicados em contexto académico no decurso das actividades lectivas do autor, com excelente fruto junto de músicos profissionais e não só, assim como também litúrgico na execução de missas e vésperas. O leitor usufruirá de toda esta experiência e sabedoria, aqui condensada num método simples, directo e apropriado para a interpretação do canto gregoriano e polifonia da renascença. As ilustrações são excelentes, os exercícios progressivos, e o conjunto utilíssimo para todos os alunos em qualquer nível de proficiência.

O livro escreveu-se num castelhano acessível aos leitores lusófonos; quem sabe se no futuro sairá uma tradução em língua portuguesa?

Este é o primeiro número da colecção doceamus, que se espera venha brevemente a engrossar com os volumes de contraponto e canto-d'órgão.

Uma leitura por todas as razões recomendada e também o excelente preço!

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Boletins do Centro "Dom Jean Claire" (PDF)

Com a queda da página da International Association Vox Gregoriana no Facebook, os PDF originais estão agora disponíveis através do nosso artigo de 2020.

sábado, 16 de maio de 2026

CANTO GREGORIANO | 2026 Curso Internacional de Verão | Mons. Alberto Turco | Itália

Informazioni in lingua italiana 🇮🇹 👉 Memorare News

Pádua, Itália
VIII Edição
Abadia de Santa Justina
24-28 de Agosto


Docentes
Gennaro Becchimanzi
Nicola Bellinazzo
Noemi Vilasi
Alberto Turco
(director do curso, docente de referência)


Curso básico
Noemi Vilasi
Iniciação ao Canto gregoriano.
Paleografia dos neumas e sinais gerais dos acentos.

Curso avançado
Gennaro Becchimanzi
Do sinal ao canto

Curso superior
Alberto Turco
Para a síntese total do estilo verbal e a modalidade

História do Canto Gregoriano
Nicola Bellinazzo
Il proto-gregoriano

Facultativo depois do jantar
Salmodia semplice: Vilasi – Becchimanzi
______________

Horário das lições
Manhã 9:00 – 12:30
Tarde 15:00 – 18:00


Os pedido de inscrição deverão ser recebidas até 17 de agosto
A inscrição será considerada concluída apenas após o recebimento da respectiva taxa. 
Os participantes interessados ​​serão então contactados pela secretaria do curso para confirmar a sua inscrição e receberem mais informações.

Os cursos terão início na tarde de segunda-feira, 24 de agosto, às 15h30, e terminarão no sábado, 29 de agosto, às 12h00.

Para se inscrever, é necessário:
  • Enviar as seguintes informações juntamente com o comprovativo de pagamento para o endereço de e-mail novascholagregoriana@libero.it :
    NOME
    APELIDO
    NACIONALIDADE
    MORADA
    TELEFONE
    CORREIO ELECTRÓNICO
    CURSO DESEJADO:
    -BÁSICO
    -AVANÇADO
    -SUPERIOR (efectivo, ouvinte)
    ALOJAMENTO (sim/não)
  • b) Pagar a taxa à Nova Schola Gregoriana.
    IBAN: IT17E0200811770000006014540
    Código BIC Swift: UNCRITB1M01
Quotas de participação:
Inscrição (não reembolsável): 45€
Para viabilizar a realização dos nossos cursos, solicita-se uma contribuição de 125€.
No final do curso, será emitido um certificado de participação.

Os participantes inscritos podem ainda usufruir de alojamento incluindo quarto e pensão completa em quarto duplo ou individual com casa de banho. Os participantes interessados deverão avisar no momento da inscrição se necessitarão ou não deste serviço, sem necessidade de pagamentos antecipados. Os participantes do curso pagarão o alojamento e alimentação diretamente à Gestão do Curso, no local (50€ por noite). 


SEDE DO CURSO
Abbazia di Santa Giustina
Via G. Ferrari 2/A
35123 - Padova

PARA MAIS INFORMAÇÕES
Associazione Nova Schola Gregoriana

DIRECTOR DO CURSO
Turco mons. Alberto
Telemóvel: +39 347 419 9251

Nova Schola Gregoriana - Verona
Nova Schola Gregoriana - Verona


Abadia Beneditina de Santa Justina de Pádua
Abadia Beneditina de Santa Justina de Pádua

Recursos Didácticos:

Iniziazione al Canto Gregoriano (€ 20)

Il proto-gregoriano (€ 25)

La scrittura musicale del Canto Gregoriano Vol. I e II (€ 10 cad.)

Liber Gradualis Vol. I e II (€ 40 cad.)

Antiphonæ et Responsoria Tomus I - VI (€ 10)

_____________

Pode inscrever-se no Curso Superior quem seja capaz de executar as peças propostas.

Também são aceites inscrições de quem deseja participar como 'ouvinte'.

As peças do programa serão enviadas a todos, sem distinção.

Textos de Estudo:
Graduale Triplex
Liber Gradualis Vol. I e II

Por favor comentai dando a vossa opinião ou identificando elos corrompidos.
Podeis escrever para:

capelagregorianaincarnationis@gmail.com

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